Na semana passada, o Governo português anunciou a criação de uma equipa técnica responsável pela coordenação da estratégia PORTOS 5+. Este grupo, composto por cinco presidentes de administrações portuárias, terá a missão de supervisionar a execução de um ambicioso plano de investimento de 4 mil milhões de euros até 2035. Embora a notícia não tenha gerado grande destaque na comunicação social, a sua importância é inegável.
Os números falam por si. Em 2017, os portos comerciais de Portugal movimentaram quase 96 milhões de toneladas de carga. No entanto, em 2023, essa cifra caiu para 83 milhões, o que representa apenas cerca de 8 toneladas por habitante anualmente. Em comparação, os portos espanhóis movimentaram 11 toneladas por habitante, evidenciando um atraso significativo que resulta de anos de investimentos adiados e concessões não concretizadas. A estratégia PORTOS 5+ surge como resposta a esta situação.
Aprovada pelo Conselho de Ministros em agosto de 2025, a estratégia PORTOS 5+ prevê um investimento total de 4 mil milhões de euros, dos quais 2.941 milhões serão financiados por empresas privadas. O Estado ficará responsável por lançar os concursos, enquanto os privados construirão e operarão as infraestruturas. Este modelo tem-se mostrado eficaz nos portos mais competitivos da Europa.
O plano inclui novas concessões para os portos de Leixões, Aveiro, Lisboa, Setúbal e Sines, abrangendo terminais de contentores, carga geral, granéis e roll-on roll-off. Um dos projetos mais significativos é o Terminal Vasco da Gama, em Sines, que terá capacidade para 3 milhões de TEU e exigirá um investimento de 560 milhões de euros. Este terminal permitirá a Portugal competir com portos como Algeciras e Tânger-Med, recebendo navios de grande porte provenientes da Ásia e redistribuindo a carga pela Europa e pelo Atlântico Sul.
A meta da estratégia PORTOS 5+ é alcançar cerca de 125 milhões de toneladas de carga e 6,5 milhões de TEU até 2035, representando um crescimento de 50% e 70% face a 2023. Embora estes objetivos sejam ambiciosos, o contexto externo é favorável. Com o aumento das frotas de grande porte e as novas regulamentações europeias sobre carbono, os portos que investirem em infraestruturas modernas e combustíveis alternativos estarão em vantagem.
Contudo, a estratégia também reconhece um desafio: apenas 6% das mercadorias que passam pelos portos do continente são transportadas por comboio. A meta é aumentar essa percentagem para 10%, o que exigirá um investimento significativo nas infraestruturas ferroviárias. Este investimento determinará se os terminais de Sines e Leixões poderão captar carga de regiões como Madrid e do interior da Península Ibérica.
A equipa criada pelo Governo terá um papel crucial na implementação da estratégia PORTOS 5+. A sua função será assegurar que o plano não fique apenas no papel, mas que se traduza em obras, concessões e terminais operacionais até 2035. A posição geográfica de Portugal, na interface entre o Atlântico e o Mediterrâneo, oferece uma oportunidade única para se tornar um hub logístico entre continentes.
Finalmente, a estratégia PORTOS 5+ representa um passo importante para modernizar os portos de Portugal e aproveitar o seu potencial. Agora, com um plano concreto e uma estrutura de acompanhamento, o país está mais perto de ter os portos que realmente precisa.
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Fonte: ECO





