Portugal defende ONU como resposta à fragmentação global

Portugal reafirmou hoje a sua posição de que a solução para a crescente fragmentação, polarização e desconfiança a nível global reside nas Nações Unidas. Durante um debate de alto nível no Conselho de Segurança da ONU, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, sublinhou que a ONU é o único fórum universal onde todos os Estados se reúnem em igualdade.

Rangel enfatizou que, apesar das falhas da organização, as Nações Unidas continuam a cumprir a sua promessa de promover o diálogo e a cooperação. “Num tempo de fragmentação, a mensagem de Portugal é clara: a resposta não é menos multilateralismo, mas sim um multilateralismo mais eficaz”, afirmou.

O ministro destacou que o sistema criado em 1945 não visava eliminar os conflitos, mas sim garantir que o diálogo prevalecesse sobre a divisão. “A ONU deve ser a plataforma central para a diplomacia, a mediação e a consolidação da paz”, acrescentou. Rangel também reconheceu a importância das organizações regionais, como a União Africana e a União Europeia, que colaboram com a ONU para prevenir crises e apoiar transições para a paz.

Portugal está a candidatar-se a um lugar como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, um dos órgãos mais influentes na manutenção da paz e segurança internacional. A eleição para o biénio 2027/2028 está marcada para 3 de junho, com Portugal a competir diretamente com a Alemanha e a Áustria.

Rangel defendeu que o Conselho de Segurança deve não só reagir a crises, mas também prevenir a escalada de conflitos. “A prevenção deve ser central no trabalho do Conselho”, afirmou na sede da ONU, em Nova Iorque. O ministro também abordou a necessidade de reforma do sistema da ONU, argumentando que um Conselho mais eficaz deve ser também mais representativo.

“Defendemos a expansão das categorias permanentes e não permanentes, com especial atenção à sub-representação de África”, disse Rangel. Ele sublinhou que as vozes de várias regiões, como a América Latina e a Ásia-Pacífico, devem ser amplificadas no Conselho de Segurança.

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A maioria dos países da ONU reconhece a necessidade de reformar o Conselho, mas as propostas variam, com algumas a sugerir uma representação africana permanente. Portugal já foi membro não permanente do Conselho de Segurança em três ocasiões: 1979-1980, 1997-1998 e 2011-2012.

Rangel também alertou para a necessidade de a ONU se adaptar aos desafios contemporâneos, como a insegurança alimentar e os riscos climáticos. “Nenhum destes desafios pode ser enfrentado isoladamente. Todos requerem um esforço multilateral”, concluiu.

Leia também: A importância do multilateralismo na política internacional.

Nações Unidas Nações Unidas Nações Unidas Nota: análise relacionada com Nações Unidas.

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Fonte: Sapo

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