O Festival ECO, que teve lugar esta quarta-feira no Centro Cultural de Belém (CCB) em Lisboa, deu início às celebrações do 10.º aniversário da plataforma, promovendo um espaço de ideias, cultura e jornalismo ao vivo. O evento reuniu leitores, parceiros e protagonistas de diversas áreas, abordando temas como economia, política, cultura, liderança e inovação.
Durante o festival, palavras como stress, velocidade e sono foram centrais nas discussões entre gestores, advogados, desportistas e chefs. O stress, frequentemente visto de forma negativa, pode, em doses adequadas, aumentar o desempenho. A neurocientista Luísa Lopes sublinhou que o sono não é uma perda de tempo, mas sim um “seguro de vida”. Além disso, enfatizou que “não há resiliência sem falhar”, destacando que, num futuro dominado pela inteligência artificial, o que fará a diferença será sempre o humano.
A tarde começou a toda a velocidade, com o piloto de superbikes Miguel Oliveira a partilhar que, a 350 quilómetros por hora, as decisões não são tomadas ativamente, mas sim em resposta à informação que surge. Oliveira, que sempre viveu a alta velocidade, afirmou que o medo é um aliado, mantendo-o alerta e protegido.
Miguel Maya, CEO do BCP, corroborou a ideia de que um certo nível de stress pode ser benéfico. “Quem lidera deve gerar stress nas equipas, mas sem que isso se torne tóxico”, afirmou. António Lobo Xavier, chairman da EDP, concordou, embora tenha brincado sobre a pressão das redes sociais que associam o stress ao aumento de peso.
Para alcançar um alto desempenho, Luísa Lopes destacou a importância do sono, afirmando que “dormir três horas nunca é suficiente”. A CEO da Siemens, Sofia Tenreiro, partilhou a sua experiência de dormir apenas três horas por noite antes dos 40 anos, mas reconheceu que isso não é sustentável. Lopes alertou que a falta de sono prejudica a criatividade, essencial em qualquer área de atuação.
O advogado Rui Patrício também fez uma ligação entre direito e arte, afirmando que a compreensão das emoções é crucial para entender o comportamento humano e, consequentemente, o fenómeno criminal. Ele lembrou que as emoções têm sido historicamente usadas para marginalizar as mulheres em posições de liderança, mas que são fundamentais na tomada de decisões.
Miguel Maya sublinhou a importância de correr riscos nas organizações, afirmando que a capacidade de inovar depende da disposição para arriscar. Ele partilhou que, apesar de erros passados, estes devem ser vistos como oportunidades de aprendizagem e não como barreiras.
A discussão sobre a inteligência artificial também foi um ponto central. Sofia Tenreiro defendeu que a IA deve ser vista como uma extensão da equipa, mas alertou que não é uma solução mágica. O sucesso está na forma como os humanos interagem com a tecnologia. Miguel Oliveira reforçou que, apesar da tecnologia no motociclismo, o “feeling humano” continua a ser insubstituível.
O Festival ECO serviu, assim, como um importante espaço de reflexão sobre como o humano se destaca em um mundo cada vez mais acelerado e dominado pela tecnologia. Leia também: A importância do sono na produtividade e bem-estar.
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Fonte: ECO





