Um estudo recente revela que o investimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS) em 2022 resultou num retorno económico significativo de 10,2 mil milhões de euros. Este valor é atribuído à redução de faltas ao trabalho e ao aumento da produtividade, conforme os dados do novo Índice de Saúde Sustentável, desenvolvido pela Nova Information Management School (Nova IMS).
De acordo com a pesquisa, cerca de 47% dos portugueses faltou pelo menos um dia ao trabalho devido a problemas de saúde, e 7,7% faltou mais de 20 dias. A prestação de cuidados de saúde pelo SNS evitou, em média, 1,4 dias de ausência laboral, o que representa uma poupança de 800 milhões de euros. Este impacto positivo na economia é um reflexo da importância do SNS para a vida laboral dos cidadãos.
Além disso, o SNS contribuiu para evitar a perda de 11,1 dias de trabalho por pessoa, resultando numa poupança adicional de seis mil milhões de euros. Assim, somando os efeitos no absentismo e na produtividade, o SNS gerou uma poupança total de 6,8 mil milhões de euros em salários, o que, em termos de produtividade, se traduz num retorno económico de 10,2 mil milhões de euros.
Pedro Simões Coelho, coordenador do estudo, enfatizou que o impacto do SNS na economia é inegável. Segundo ele, “o valor que nós estimamos, só por meio dos salários, é de quase sete mil milhões”. Este estudo também destaca uma mudança nas dinâmicas de trabalho no pós-COVID, onde o SNS parece ter reduzido o absentismo e melhorado a produtividade.
A edição do Índice de Saúde Sustentável 2025/26 apresenta uma nova metodologia que reflete a evolução do SNS, agora financiado por capitação, e introduz uma componente focada na prevenção. Os utentes reconhecem um impacto significativo do SNS nas dimensões de saúde e qualidade de vida.
Embora os autores do estudo alertem para a dificuldade de comparar os dados deste ano com os anteriores, é evidente que a pressão financeira sobre o SNS continua a aumentar. O novo índice de sustentabilidade do SNS é de 59,3 pontos (numa escala de 0 a 100), influenciado pelo aumento da despesa em 9,1%, pela redução do stock da dívida vencida e pela estabilização dos níveis de qualidade.
Pedro Simões Coelho sublinhou que, apesar da elevada qualidade do sistema, a acessibilidade continua a ser um desafio. Os resultados do estudo serão apresentados hoje no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
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Fonte: Sapo





