A energia eólica consolidou-se em 2025 como a principal fonte de eletricidade renovável na União Europeia, representando 37,5% da produção total, de acordo com dados do Eurostat. A energia solar segue em segundo lugar, com 27,5%, enquanto a hídrica ocupa a terceira posição com 25,9%. As restantes fontes renováveis, como biocombustíveis e geotérmicas, somam 9%.
Em comparação com 2024, a energia solar destacou-se com um crescimento de 24,6%, enquanto a geração hídrica registou uma queda de 11,8%, refletindo as variações climáticas. Portugal é um dos líderes em eletricidade renovável, com uma quota de 82,9%, apenas atrás da Dinamarca e da Áustria.
No entanto, a produção de eletricidade a partir do vento também apresenta desvantagens, especialmente no que diz respeito à vida selvagem. As turbinas eólicas, que podem atingir alturas entre 150 e 250 metros, têm um impacto negativo nas aves, provocando colisões devido à sua cor branca.
Um estudo recente publicado na revista Behavioral Ecology sugere uma solução inovadora: imitar padrões naturais. A investigação, liderada por George R. A. Hancock, testou se padrões visuais inspirados no aposematismo — cores vivas usadas por animais para afastar predadores — poderiam ajudar as aves a evitar colisões com turbinas eólicas.
A professora Johanna Mappes, da Universidade de Helsinquia, explica que muitos animais utilizam cores para alertar sobre perigos, e que essa tendência de evitar certas combinações de cores pode ser genética. O estudo utilizou o chapim-real (Parus major) e expôs esta espécie a imagens de turbinas com diferentes padrões, incluindo uma com um design biomimético em vermelho, amarelo e preto.
Os resultados mostraram que as turbinas com cores de advertência eram mais eficazes em assustar as aves do que os padrões tradicionais. As turbinas brancas, que são as mais comuns, revelaram-se as piores em termos de segurança para as aves. A pesquisa indica que uma simples alteração visual pode reduzir significativamente a mortalidade de aves associada à energia eólica.
As aves mostraram maior hesitação em se aproximar de turbinas com padrões contrastantes, especialmente com o padrão biomimético. Os autores do estudo afirmam que esses padrões aumentaram a aversão das aves, sugerindo uma abordagem passiva e eficaz para minimizar colisões.
As colisões com turbinas eólicas são um problema global, afetando especialmente espécies vulneráveis como águias e aves migratórias. Em Portugal, a dimensão do problema é difícil de quantificar, e a monitorização dos impactos sobre a fauna ainda é insuficiente.
Embora algumas soluções já tenham sido testadas, como sensores e paragens temporárias de turbinas, o novo estudo propõe que a percepção de risco também é crucial. Isso abre a possibilidade de usar princípios da ecologia sensorial para “comunicar” com as aves.
Os autores alertam que os resultados foram obtidos em laboratório e que testes em condições naturais são necessários. Além disso, existem desafios práticos, como os custos de repintura e a regulamentação que limita as cores das turbinas.
Se os resultados se confirmarem em diferentes contextos, poderão representar uma mudança significativa na indústria de energia eólica. A construção de parques eólicos está a aumentar, e é essencial encontrar soluções que protejam a vida selvagem enquanto se promove a energia renovável.
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turbinas eólicas turbinas eólicas Nota: análise relacionada com turbinas eólicas.
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Fonte: Sapo





