Defesa portuguesa: oportunidades de cooperação industrial

O ecossistema de defesa portuguesa está a ganhar destaque, e Rob Weitzman, diretor de Desenvolvimento de Negócios Internacionais da Lockheed Martin, afirma que a empresa planeia tirar o máximo proveito das oportunidades existentes. Esta declaração foi feita durante o painel “AeroSpace Advantage – Mission-Ready Capability through Industrial Integration”, que teve lugar no AED Days, no Estoril.

Com a escolha dos novos caças da Força Aérea prestes a ser decidida, várias empresas já se posicionaram para a competição. Entre elas estão a Lockheed Martin, com os F-35, a sueca Saab, com os Gripen, e o consórcio Eurofighter. A situação geopolítica atual, marcada por tensões entre a Europa e os EUA, levanta a questão sobre a necessidade de Portugal optar por aviões de origem americana. Weitzman sublinha que a capacidade de defesa não se limita à geografia, mas sim à eficácia em cumprir missões de dissuasão e policiamento aéreo, alinhando-se com os interesses nacionais.

Weitzman também destacou a importância de Portugal apoiar a NATO e outros aliados, enfatizando que a integração deve ser fluida desde o primeiro dia. “Obviamente existem oportunidades de cooperação industrial para Portugal”, afirmou, referindo que a Lockheed Martin está a dialogar com a indústria local para explorar essas possibilidades. O programa F-35, segundo Weitzman, já tem uma forte implementação na Europa, com 25% da sua cadeia de valor a ser proveniente do continente.

Peter Nilsson, vice-presidente da Saab, também participou do debate, enfatizando que a tecnologia dos Gripen é aberta e que a empresa está disposta a colaborar com outras indústrias. A Saab já estabeleceu parcerias em Portugal, como a colaboração com a Critical Software na área de simulação para treino de pilotos.

A Diehl Defence, uma empresa alemã produtora de mísseis, também reforçou a importância da cooperação. Martin Walzer, vice-presidente de marketing e vendas, revelou que a empresa aumentou a sua taxa de produção em 60% nos últimos três anos, destacando a necessidade de todos os parceiros europeus acompanharem este crescimento. Walzer expressou interesse em encontrar indústrias locais em Portugal, que possam contribuir para o desenvolvimento de software e outras áreas.

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O investimento no setor de defesa na Europa e a possibilidade de um novo programa SAFE também foram discutidos. Manuel Kiefer, da Airbus Defence and Space, afirmou que qualquer projeto europeu, incluindo a compra de caças, seria elegível para o programa SAFE, defendendo a inclusão da cooperação industrial e da soberania europeia nas futuras contratações.

Leia também: O impacto da cooperação industrial na defesa europeia.

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Fonte: ECO

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