As empresas espanholas Mango e Puig avançaram com ações judiciais nos Estados Unidos, no Tribunal de Comércio Internacional, para solicitar a devolução de tarifas cobradas entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026. Esta decisão surge após o Supremo Tribunal dos EUA ter considerado ilegais algumas das tarifas impostas pela administração de Donald Trump.
A Puig, através da sua filial nos EUA, apresentou a ação no dia 18 de março, enquanto a Mango fez o mesmo seis dias depois. Ambas as empresas, que partilham uma forte ligação empresarial e têm administradores em comum, contaram com o apoio do escritório de advogados DLA Piper para este processo. As ações judiciais visam a administração norte-americana, incluindo vários departamentos federais responsáveis pela política económica.
As empresas exigem o reembolso total das tarifas pagas, acrescido de juros, ou uma indemnização equivalente ao montante das tarifas e dos juros associados. A administração dos EUA enfrenta, neste momento, pedidos globais que totalizam 166 mil milhões de dólares, o que equivale a cerca de 142,4 mil milhões de euros. De acordo com a Câmara de Comércio de Espanha, as empresas espanholas podem receber até 3 mil milhões de euros em compensações.
A Mango, que tem sido impactada pelas tarifas aplicadas a países como China, Vietname e Índia, considera o mercado norte-americano estratégico. A empresa têxtil pretende que os EUA se tornem o seu principal mercado até ao final de 2026. Nos últimos três anos, a Mango abriu quase 60 lojas nas principais cidades dos EUA e registou receitas superiores a 260 milhões de euros em 2025.
Por outro lado, a Puig, que opera no setor da perfumaria, também se queixa do impacto negativo que as tarifas tiveram nos seus resultados. No primeiro trimestre de 2026, a empresa reportou um crescimento de 0,8% nas receitas, mas, se não fosse o câmbio desfavorável, esse crescimento teria sido de 4,7%.
Este processo judicial representa um passo importante para as empresas espanholas que se sentem prejudicadas pelas tarifas de Trump. A luta pela devolução das tarifas não só pode trazer alívio financeiro, mas também reforçar a posição das empresas no competitivo mercado norte-americano. Leia também: O impacto das tarifas comerciais nas empresas espanholas.
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Fonte: ECO





