A Vanguard Properties, uma das principais impulsionadoras do mercado imobiliário de luxo em Portugal, especialmente nas áreas de Lisboa e Comporta, está a passar por uma transformação significativa. Desde a sua fundação em 2016 pelo milionário francês Claude Berda, a empresa investiu cerca de 1,3 mil milhões de euros em diversos projetos. No entanto, a recente mudança de liderança, com a saída do CEO José Cardoso Botelho e a nomeação de Henrique Rodrigues da Silva, trouxe uma nova abordagem ao negócio.
A nova estratégia da Vanguard Properties visa reduzir custos fixos e maximizar resultados financeiros, afastando-se do modelo de gestão contínua dos projetos. Em vez de acompanhar todas as fases de desenvolvimento, a empresa pretende concentrar-se na execução e alienação de ativos. Alexandre Berda, chairman da empresa, referiu em entrevista que a Vanguard estava a entrar em “modo de execução” com a nova liderança, mas informações recentes indicam que a realidade pode ser diferente.
O projeto ‘Muda Reserve’, em Grândola, que previa um investimento de 200 milhões de euros para a construção de cerca de 200 casas, está agora a ser preparado para venda a terceiros. O megaprojeto ‘Foz do Tejo’, em Oeiras, com um investimento estimado em 280 milhões de euros, encontra-se suspenso, assim como a adjudicação das infraestruturas. O empreendimento ‘Terraços do Monte’, na Graça, em Lisboa, aguarda adjudicação desde maio de 2025, levantando questões sobre a falta de financiamento.
Atualmente, o único projeto em execução é o ‘Tomás Ribeiro 79’, que foi adjudicado à construtora DST. Esta reestruturação não se limita apenas à estratégia de negócios, mas também à equipa da Vanguard Properties. Após a morte do pai, Alexandre Berda assumiu a gestão familiar e formou uma nova comissão executiva. Contudo, dois dos membros nomeados abandonaram a empresa, e o COO Carlos Victorino foi transferido para outro departamento.
Em 2025, a Vanguard Properties implementou um despedimento coletivo, resultando na saída de vários colaboradores para empresas concorrentes. A empresa também decidiu cortar apoios institucionais que mantinha há anos, numa tentativa de reduzir custos e reforçar a sua imagem no mercado premium. O ex-CEO, José Cardoso Botelho, tinha planos para ancorar o mercado turístico da Comporta em eventos culturais, mas esses projetos parecem ter sido abandonados.
Em abril, o Jornal Económico tentou obter esclarecimentos sobre estas mudanças, mas a Vanguard Properties optou por não comentar. Uma entrevista com Alexandre Berda estava agendada, mas nunca se concretizou. A nova direção da Vanguard Properties está a redefinir o seu papel no mercado imobiliário, e as próximas etapas serão cruciais para o futuro da empresa.
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Fonte: Sapo





