A Confederação Nacional das Seguradoras do Brasil (CNseg) e a Fidelidade organizaram em Lisboa o 1.º Fórum Brasil-Portugal de Seguros, um evento que visa fortalecer a cooperação entre os dois maiores mercados seguradores de língua portuguesa. Este encontro surge na sequência da COP 30 – Amazónia, realizada em novembro de 2025, onde as delegações da CNseg e da Fidelidade discutiram a troca de experiências sobre a adaptação às alterações climáticas.
Roberto Santos, da CNseg, enfatizou a importância de uma coordenação mais eficaz entre Brasil e Portugal na resposta aos riscos climáticos. O fórum, realizado no Técnico Innovation Center e apoiado pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS), centrou-se na necessidade de desenvolver mecanismos de proteção financeira que aumentem a resiliência face à intensificação de fenómenos climáticos extremos.
Na abertura do evento, o CEO da Fidelidade, Rogério Campos Henriques, destacou o caráter inovador da iniciativa. “Pela primeira vez, Portugal e Brasil uniram-se formalmente para debater estratégias de adaptação climática e explorar caminhos de colaboração práticos. Este é o início de uma relação que terá um impacto significativo na forma como protegemos famílias e empresas em ambos os países”, afirmou.
O fórum contou com intervenções de vários especialistas, incluindo o embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro, que também defendeu a necessidade de uma maior coordenação na resposta aos riscos climáticos. O setor segurador, segundo os participantes, está a ganhar um papel cada vez mais relevante na construção de soluções para a adaptação e mitigação dos riscos climáticos.
Os trabalhos do fórum foram divididos em três painéis temáticos. O primeiro focou na adaptação climática e na resiliência, onde se analisaram os limites dos modelos tradicionais de gestão de risco face a eventos de alta severidade. As conclusões apontaram para a necessidade de criar mecanismos de proteção mais abrangentes, envolvendo seguradoras, governos e mercados de capitais.
O segundo painel abordou a importância dos dados e da inteligência climática. Os especialistas sublinharam que a utilização de modelos avançados de previsão e análise de risco tornou-se uma ferramenta essencial na avaliação e mitigação dos impactos das alterações climáticas.
O agronegócio brasileiro foi um dos temas centrais do terceiro painel, refletindo a relevância do setor agrícola para a economia do Brasil e os desafios impostos pelas alterações climáticas. Durante o debate, Duarte Cordeiro defendeu uma reorganização dos territórios, afirmando que “o seguro paga o risco, mas o ordenamento evita-o”.
Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, alertou para a necessidade de rever os modelos tradicionais de avaliação de risco. “As alterações climáticas não só aumentam o volume de indemnizações, mas também transformam a essência da atividade seguradora. A realidade atual já não se comporta como no passado”, afirmou.
O encontro terminou com o compromisso da Fidelidade e da CNseg de aprofundar o diálogo iniciado em Lisboa e desenvolver iniciativas conjuntas nos domínios dos seguros e da gestão do risco. Os organizadores destacaram que tanto Portugal como Brasil enfrentam desafios semelhantes, como incêndios, secas e cheias, e que a cooperação entre os dois mercados poderá acelerar a criação de soluções inovadoras, contribuindo para uma maior resiliência económica e social.
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Fonte: ECO





