Controvérsia no SIRESP: Ex-secretário-geral aponta irregularidades

António Pombeiro, ex-secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna (MAI), voltou a levantar questões sobre a gestão do SIRESP, o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal. Durante uma audição na Assembleia da República, Pombeiro afirmou que “existe alguma beliscadura” na folha do atual presidente da Siresp S.A., Paulo Viegas Nunes, embora tenha sublinhado que não tem nada de pessoal contra ele.

A declaração de Pombeiro surge na sequência da sua demissão, ocorrida em maio, onde alegou “irregularidades graves” na gestão da empresa durante o mandato de Viegas Nunes, que se estendeu de 2022 a 2024. O ex-secretário-geral adjunto criticou a presença de conflitos de interesses e a contratação de consultores relacionados pessoalmente com o presidente da Siresp S.A.

“Em termos de gestor público, a folha não deve estar minimamente beliscada”, reiterou Pombeiro, que expressou a sua preocupação com a continuidade de figuras que, segundo ele, têm um histórico problemático na empresa. O ex-secretário-geral adjunto também questionou a decisão de Viegas Nunes de se demitir em 2024, num momento crítico para o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), para depois regressar à liderança da Siresp S.A.

A audição, solicitada por partidos como a Iniciativa Liberal e o Chega, permitiu a Pombeiro expor a sua visão sobre o futuro do SIRESP. Enquanto Viegas Nunes defende uma maior aproximação da rede de comunicações de emergência ao Exército, Pombeiro advoga por uma interligação com a Rede Nacional de Segurança Interna, destacando a capilaridade da infraestrutura do MAI como um ponto crucial.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, já tinha rejeitado as acusações de ilegalidades na gestão do SIRESP, afirmando que as alegações foram “inteiramente escrutinadas” numa auditoria da Inspeção-Geral das Finanças, que não encontrou irregularidades. A rede SIRESP tem sido alvo de críticas desde a sua criação, especialmente após falhas notórias em situações de emergência, como os incêndios de 2017 e a tempestade Kristin em 2025.

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Paulo Viegas Nunes, por sua vez, defendeu-se das acusações de Pombeiro, considerando-as “orquestradas” e surgidas num “momento cirurgicamente escolhido” para coincidir com a sua reeleição. O presidente da Siresp S.A. também negou qualquer relação de parentesco com um dos consultores mencionados, esclarecendo que a proposta de serviços foi adjudicada a um valor abaixo do mercado.

Viegas Nunes expressou surpresa com as alegações de Pombeiro, considerando-as um ataque pessoal e dirigido a todos os que trabalharam com ele. A polémica em torno da gestão do SIRESP continua a suscitar debates acesos, refletindo a complexidade e a importância da rede de comunicações de emergência em Portugal.

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Fonte: ECO

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