Armadores aguardam segurança no Estreito de Ormuz para navegação

A expectativa em torno do Estreito de Ormuz é elevada, com armadores e comerciantes a aguardarem informações cruciais sobre a segurança das travessias marítimas. A recente proposta de acordo, que poderá reabrir esta via navegável vital nos próximos dias, foi recebida com cautela. Muitos no setor afirmam que só avançarão quando tiverem mais detalhes sobre a segurança das operações.

O Estreito de Ormuz é um canal essencial para o escoamento de petróleo e gás natural a nível global. Nos últimos meses, a região tem sido palco de tensões entre os Estados Unidos e o Irão, o que resultou em perturbações significativas no comércio global de energia. O controlo do Irão sobre o estreito, combinado com o bloqueio imposto pelos EUA, isolou alguns dos maiores produtores de petróleo, levando a uma necessidade urgente de retomar o tráfego marítimo.

Recentemente, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que o estreito reabrirá na próxima sexta-feira, após a assinatura do acordo. Contudo, a falta de informações concretas deixou o setor em dúvida sobre o que isso significará na prática. Até ao momento, a atividade no Estreito de Ormuz tem sido escassa, com exceção do navio-tanque de gás natural liquefeito, Disha, que se aventurou nas águas para testar a segurança.

Cerca de 600 navios permanecem retidos no Golfo Pérsico, prontos para partir, enquanto outros aguardam vazios no lado exterior do golfo, de acordo com a Kpler, citada pela Bloomberg. Embora o acordo possa libertar milhões de barris de petróleo, a realidade prática apresenta desafios, como a concorrência entre as embarcações para transitar por um corredor estreito.

A segurança continua a ser uma preocupação central. Nos últimos meses, acordos temporários resultaram em confrontos, com forças iranianas a disparar contra navios ou a apreender embarcações. Além disso, a presença de minas na região levanta questões sobre as rotas seguras e a cobertura de seguro necessária para as operações.

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Brett Erickson, diretor-geral da Obsidian Risk Advisors, enfatizou que a segurança é a principal preocupação dos armadores. “A indústria marítima compreende isso. Os capitães e as tripulações estão cientes de que um único erro pode ter consequências graves”, afirmou.

Alguns produtores de petróleo têm procurado soluções alternativas para garantir a passagem dos petroleiros, com apoio dos EUA, mas as travessias permanecem muito abaixo dos níveis pré-guerra, quando uma média de 135 petroleiros atravessava o Estreito de Ormuz diariamente.

Os navios carregados deverão ser os primeiros a partir, enquanto os que estão vazios no Golfo de Omã poderão começar a carregar mercadorias assim que o acesso for restabelecido. Atualmente, mais de 300 navios vazios aguardam no Golfo, prontos para transitar pelo estreito.

Os dados da Kpler revelam que cerca de 98 petroleiros de crude e 88 navios que transportam produtos petrolíferos estão atualmente retidos no Golfo Pérsico. Muyu Xu, analista sénior de petróleo bruto da Kpler, sugere que os armadores mais tolerantes ao risco poderão ser os primeiros a agir assim que o Irão abrir as portas. “É incerto se Teerão irá impor quaisquer medidas de controlo”, concluiu.

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Fonte: Sapo

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