A Inteligência Artificial (IA) está a transformar o setor dos seguros, com empresas a automatizar mais de 30.000 tarefas mensais e a eliminar 70% do tempo manual em processos específicos. No entanto, a compliance, essencial para a segurança e regulamentação do setor, está a ficar para trás, criando preocupações sobre riscos sistémicos.
Durante o evento FinAI Playbook, organizado pela Portugal Fintech em Lisboa, foram apresentados resultados impressionantes por várias insurtechs. A FRANK, por exemplo, revelou que possui três agentes de IA em operação, incluindo um copiloto de ERP/CRM e um agente documental. Este modelo, denominado “Spiral Kaizen”, permitiu à empresa identificar rapidamente quais processos automatizar, destacando que o verdadeiro desafio reside na gestão da mudança e na clareza das regras de negócio.
Por outro lado, a Coverflex partilhou a sua experiência inicial negativa na implementação de IA no apoio ao cliente. A falha ocorreu ao tentar conectar diretamente a base de perguntas frequentes ao produto, sem um fluxo de trabalho bem definido. O sucesso veio com a documentação dos processos de suporte e a criação de árvores de decisão, que agora permitem que um “super agente” decida quando escalar questões para um humano, especialmente em casos de frustração do utilizador.
No entanto, a compliance enfrenta um desafio significativo. A Zango, uma das empresas presentes, destacou que, enquanto as operações estão a avançar rapidamente com um retorno sobre o investimento visível, a compliance não acompanha este ritmo. As ferramentas de IA com aplicações seguras em compliance incluem pesquisa semântica e geração controlada de conteúdos, mas a Zango alerta para o uso cauteloso em avaliações de materialidade e na interpretação de intenções regulatórias.
Com a entrada em vigor do Regulamento Europeu de IA em agosto de 2026, que classifica a análise de crédito como sistemas de alto risco, as empresas têm um prazo apertado para se adaptarem e regularizarem a sua posição.
No campo dos seguros de saúde, a Sword Health apresentou o seu agente de IA, Phoenix, que opera em conjunto com clínicos humanos para monitorizar condições de saúde. Este modelo visa não apenas reduzir custos, que quadruplicaram nos últimos 25 anos, mas também melhorar o acesso e os resultados clínicos. A empresa defende que a supervisão humana é crucial para garantir que a IA e a saúde digital se complementem.
Gary Dolman, co-fundador do Monzo, abriu o evento com uma reflexão sobre a disposição das organizações para enfrentar falhas durante a implementação de IA. Ele enfatizou a importância de uma cultura de inovação, onde se constrói sem medo, como um fator chave para o sucesso.
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Fonte: ECO





