Portugal perde quota de mercado em exportações para 57% dos destinos

Portugal registou uma perda de quota de mercado em 57% dos mercados individuais para os quais exportou, segundo o “Boletim Económico de junho” do Banco de Portugal. O governador Álvaro Santos Pereira destacou que a Espanha foi o país que mais contribuiu negativamente para esta situação. Entre os concorrentes que ganharam espaço onde as exportações portuguesas cederam estão a União Europeia, os Estados Unidos e a China.

O relatório do Banco de Portugal revela que a perda de quota de mercado foi “significativa e generalizada por produto e mercado geográfico”. No que diz respeito aos produtos, os bens agrícolas tiveram um impacto negativo de -0,9 pontos percentuais, embora este resultado possa ser atribuído a fatores temporários, como a diminuição da produção agrícola e a queda dos preços de alguns produtos relevantes nas exportações. Além dos produtos agrícolas, os setores de ótica, instrumentos médicos, mobiliário, pedras, gesso, cerâmica, vidro e material de transporte também contribuíram para a perda de quota de mercado.

Em 2025, Portugal perdeu quota de mercado em 195 dos 341 mercados analisados. Estes mercados representaram 60,5% das exportações de bens, com uma contribuição negativa de -5,6 pontos percentuais. A União Europeia ganhou quota em 87 mercados, os Estados Unidos em 69 e a China em 75. A análise revela que os produtos agrícolas exportados para Espanha tiveram uma perda de -0,5 pontos percentuais, enquanto os produtos diversos para a Alemanha caíram -0,4 pontos percentuais. A concorrência chinesa também foi um fator relevante para a diminuição da quota de mercado.

O mercado espanhol destacou-se como o que mais contribuiu para a redução da quota, com uma perda de -1,2 pontos percentuais, refletindo o seu peso de 30,2% nas exportações portuguesas. O Banco de Portugal sublinha que a perda de quota deve ser vista no contexto de instabilidade e mudanças profundas no comércio internacional, mas mostra-se otimista quanto a uma recuperação em 2026.

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Álvaro Santos Pereira afirmou que, apesar da queda de quota de mercado no ano anterior, os primeiros meses de 2026 têm mostrado sinais de recuperação. O governador atribui parte da quebra das exportações a “fatores temporários”, como a paragem programada da refinaria de Sines, mas também destaca a crescente concorrência enfrentada pelos produtores nacionais.

O Banco de Portugal observa que a presença da China tem aumentado, especialmente no setor de transporte. Além disso, Portugal ganhou quota nominal no mercado da União Europeia, impulsionada pelo desempenho dos serviços de transporte e comunicação. Para 2026, o regulador prevê um crescimento das exportações de bens e serviços de 0,4% para 2%, com uma trajetória ascendente projetada para os anos seguintes.

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Fonte: ECO

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