A segunda reunião entre o primeiro-ministro, António Costa, e o líder do Chega, André Ventura, não resultou em acordo sobre as novas regras laborais. Ventura, que se dirigiu aos jornalistas no Parlamento, afirmou que “até ao momento não foi possível chegar a um entendimento”. O foco das discussões centrou-se na reforma do mercado de trabalho, onde as divergências entre os partidos continuam a ser significativas.
O líder do Chega sublinhou que a sua posição mantém-se firme nas exigências para a alteração das regras laborais. “Na questão das reformas, continua a haver uma divergência substancial entre as posições dos partidos”, afirmou Ventura. Apesar da falta de consenso, ele garantiu que o diálogo com o Governo não terminará aqui. “Durante as próximas horas e ao longo da próxima quarta-feira, continuaremos a estabelecer um contacto técnico e político para tentar chegar a um entendimento”, acrescentou.
Uma das principais reivindicações de Ventura é a redução da idade de reforma para 65 anos ou após 40 anos de descontos. Esta proposta foi considerada “incomportável” pela ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, que alertou para um custo anual potencial de pelo menos 2,6 mil milhões de euros. Atualmente, a idade da reforma em Portugal é de 66 anos e nove meses, e a fórmula de cálculo, que está ligada ao aumento da esperança média de vida, prevê um aumento de dois meses no próximo ano.
Além da questão da reforma, o Chega propõe a reposição dos três dias de férias que foram retirados durante o período da Troika, bem como a equiparação dessa reposição na administração pública. Ventura reconheceu que estas questões continuam a gerar divergências, assim como a regulamentação de aspectos relacionados com a licença para avós cuidarem dos netos.
Se não houver alterações até lá, o pacote laboral será debatido em plenário esta quinta-feira, com votação prevista para o dia seguinte. Ventura também abordou o tema das subvenções políticas, afirmando que não se pode reformar a legislação laboral enquanto se mantêm “uma das maiores vergonhas nacionais”. O líder do Chega defendeu o fim das subvenções vitalícias políticas em Portugal, considerando que muitas foram pagas de forma injusta e arbitrária.
Embora Ventura tenha notado uma abertura por parte do PSD para discutir o fim das subvenções, ele deseja ir mais longe, alegando que muitas destas subvenções foram atribuídas de maneira injusta. “O nosso objetivo é acabar com todas as subvenções vitalícias políticas em Portugal”, concluiu.
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Fonte: Sapo





