Acordo EUA-Irão é frágil, alerta Costa Silva em Luanda

O ex-ministro da Economia português, António Costa Silva, expressou hoje, em Luanda, a sua preocupação em relação ao recente acordo entre os Estados Unidos e o Irão, considerando-o “frágil”. Durante uma intervenção à Lusa, à margem da apresentação do estudo “Banca em Análise”, da Deloitte, Costa Silva sublinhou que várias questões cruciais ainda estão por negociar. O acordo, que estabelece um cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz, prevê negociações adicionais nos próximos 60 dias.

“Embora o acordo seja um alívio, é apenas um memorando de entendimento. As questões essenciais precisam de ser discutidas nas próximas semanas”, afirmou o académico. O foco principal do acordo, conforme indicado pelo Presidente americano, é a reabertura do Estreito de Ormuz, um ponto que Costa Silva considera particularmente vulnerável. Este estreito é vital, pois por ele transita cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente.

O ex-governante questionou a lógica por trás do conflito, referindo que a guerra tinha como objetivo impedir que o Irão desenvolvesse armas de destruição maciça, mas acabou por conferir ao país uma nova forma de poder, através do controlo do Estreito de Ormuz. “Estamos a voltar a um ponto zero, o que levanta questões sobre os objetivos da guerra”, disse, alertando para as consequências negativas que o conflito teve na economia mundial.

O memorando assinado estipula que o Irão deve tomar medidas para retomar a circulação de navios mercantes no estreito dentro de 30 dias. No entanto, a normalização da situação poderá demorar, devido aos danos causados nas infraestruturas energéticas durante a guerra.

Costa Silva também destacou a crescente divisão no Médio Oriente, com os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita a adotar posições divergentes, e expressou receios de que o Irão possa voltar a bloquear o estreito. “As lideranças americana e iraniana são erráticas e a situação é cada vez mais instável”, alertou, acrescentando que, embora os mercados possam sentir um alívio imediato, a situação requer vigilância constante.

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O ex-ministro não poupou críticas à Europa, que considera estar a agir de forma “errática” e “reativa”. “A Europa deve ser mais protagonista e menos expectante em relação aos movimentos dos Estados Unidos. Este é um erro estratégico”, defendeu, sublinhando a importância de a União Europeia estabelecer alianças globais para evitar futuras crises.

Costa Silva apelou a uma maior proatividade da União Europeia, que possui uma “máquina diplomática forte”, para que possa influenciar de forma mais eficaz os acontecimentos internacionais. Ele também criticou a atual política das grandes potências, lamentando que o mundo esteja a regredir para um imperialismo semelhante ao do século XIX e que o comércio internacional esteja a sofrer com este retrocesso.

Leia também: A importância das alianças internacionais na política global.

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Fonte: Sapo

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