Bancos em Angola como parceiros na transformação económica

Na 20.ª edição do evento “Banca em Análise”, realizado em Luanda, José Barata, presidente da Deloitte Angola, sublinhou a importância dos bancos em Angola como agentes de transformação económica. Com um rácio de solvabilidade superior a 23%, Barata destacou a solidez e estabilidade do setor bancário angolano, afirmando que os bancos devem ir além do papel de meros financiadores e assumir-se como parceiros estratégicos na diversificação da economia.

O relatório anual da Deloitte, apresentado durante o evento, enfatiza o papel crucial da banca na transformação económica, especialmente através da inteligência artificial (IA) na concessão de crédito. Barata referiu que a banca angolana continua a evidenciar níveis confortáveis de solvabilidade e uma melhoria na eficiência operacional, com uma redução do cost-to-income em cerca de 3 pontos percentuais. Esta evolução resultou num aumento da rentabilidade do setor.

No ano passado, o produto bancário cresceu cerca de 20,8%, impulsionado pela margem financeira e pelo desempenho positivo dos resultados cambiais, que aumentaram aproximadamente 29,4%. Contudo, Barata alertou para os desafios que o setor enfrenta, defendendo que a fase de consolidação dos ganhos deve coexistir com uma ambiciosa agenda de transformação. A digitalização é um dos principais vetores dessa mudança, com novas oportunidades a surgir através de métodos de pagamento eletrónicos e modelos de Open Banking.

A inclusão financeira é um desafio estrutural destacado no relatório, com a Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2025-2027 a ser vista como uma oportunidade para acelerar a bancarização no país. Barata enfatizou a importância de investimentos em tecnologia, cibersegurança e formação de recursos humanos para acompanhar a evolução do setor.

No que toca à supervisão e gestão de risco, o reforço dos mecanismos de compliance será cada vez mais relevante. Num contexto global com exigências regulatórias crescentes, os bancos em Angola terão de fortalecer os seus modelos de controlo interno e de governação, garantindo a robustez do sistema financeiro nacional.

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Barata também destacou a capacidade da banca de financiar a diversificação da economia angolana como um dos desafios fundamentais. O crescimento sustentável do país exige um setor financeiro que apoie o investimento em áreas como pequenas e médias empresas, agricultura, indústria transformadora e infraestruturas.

Por fim, José Barata sublinhou que, face às incertezas geopolíticas e à volatilidade dos mercados, a resiliência será um ativo determinante. O setor bancário, com as competências e a experiência necessárias, deve encontrar um equilíbrio entre prudência e inovação, solidez financeira e crescimento, rentabilidade e impacto económico.

Leia também: O papel da banca na inclusão financeira em Angola.

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Fonte: Sapo

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