A figura de Cristiano Ronaldo tem gerado discussões acaloradas entre os adeptos do futebol. Embora o jogador tenha sido um ícone do desporto mundial, muitos questionam se a sua performance ainda corresponde à grandeza do passado. A verdade é que, enquanto Cristiano Ronaldo parece estar a atravessar uma fase menos brilhante, o panorama do futebol português não parece ter mudado significativamente.
A competição mundial de futebol é, acima de tudo, uma forma de entretenimento que atrai milhões de espectadores. Mesmo quando os grandes jogadores enfrentam dificuldades, o público continua a apoiar as suas estrelas. Recordo-me de momentos memoráveis, como quando Ronaldo marcou quatro golos no Santiago Bernabéu. Mesmo que o jogador esteja a entrar na fase final da sua carreira, a sua presença continua a ser relevante. No entanto, a questão que se coloca é: será que estamos a exigir demais de Cristiano Ronaldo?
A responsabilidade não recai apenas sobre o treinador da seleção, Roberto Martínez, ou sobre a Federação Portuguesa de Futebol. É um fenómeno coletivo. A forma como valorizamos Cristiano Ronaldo, medida em likes, títulos e merchandising, reflete a nossa necessidade de o ver em campo. Um título do jornal The Independent, que descreve a situação como “Dez homens e uma estátua”, capta bem esta dualidade. Os dez homens representam os jogadores que se movimentam, enquanto a estátua simboliza a lenda viva que é Ronaldo.
Contudo, é pertinente questionar onde estavam os outros jogadores de renome da seleção, como os que brilham no PSG, durante o jogo contra o Congo. Será que Cristiano Ronaldo é o único que está a envelhecer, ou será que os restantes jogadores não estão a conseguir formar uma equipa coesa? A dinâmica em campo parece estar a falhar, e a única habilidade que se destaca é a capacidade de Ronaldo em lidar com as críticas.
É inegável que Cristiano Ronaldo não é o mesmo de antes. No entanto, a verdade é que os portugueses, enquanto adeptos, também não mudaram. A seleção nacional pode ter uma “floresta murcha” em campo, mas a atenção continua a centrar-se na “árvore centenária”, que é Ronaldo. Esta idolatria, embora forte, pode estar a impedir a evolução do futebol português.
É tempo de repensar a nossa relação com Cristiano Ronaldo e explorar novos talentos. Ao deixarmos de lado a idolatria cega, poderemos descobrir outros jogadores que também merecem o nosso apoio e que podem contribuir para o futuro da seleção. Afinal, a evolução do futebol português depende não só de um jogador, mas de um colectivo que se una em prol de um objectivo comum.
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Fonte: ECO





