Luís Montenegro mantém diálogo com Chega e PS no PSD

O 43.º Congresso Nacional do PSD, que decorreu em Anadia, terminou com a aprovação unânime da estratégia do líder Luís Montenegro, que mantém a porta aberta para o diálogo com o Chega e o PS, mesmo face a críticas que rotulam ambos os partidos como imobilistas. O recente chumbo da proposta do Governo para a revisão do Código Laboral, que resultou de uma aliança de votos entre o Chega e a esquerda parlamentar, não alterou a linha traçada por Montenegro, que foi reafirmada no congresso.

Durante o evento, destacaram-se as intervenções críticas em relação às posturas do PS e do Chega, mas sem apelos a rupturas. Carlos Eduardo Reis, novo líder da distrital de Braga, foi a exceção, considerando o Chega como um partido “inconfiável”. Ele sublinhou que negociar com o PS não deve ser equiparado a negociar com o Chega, defendendo a necessidade de diálogo com os socialistas para os responsabilizar.

O secretário-geral do PSD, Hugo Soares, também se manifestou sobre o recente chumbo da legislação laboral, considerando que “foi um dia mau para o país”, mas assegurou que isso não mudará a estratégia do Governo. “Se o Chega e o PS desistiram do país, nós não vamos desistir de os chamar à razão”, afirmou, reforçando a importância do diálogo na Assembleia da República.

Montenegro, na abertura do congresso, reiterou a sua posição de equidistância entre o Chega e o PS, acusando ambos os partidos de priorizarem a politiquice em detrimento da mudança. “Estou tudo menos preocupado com o meu futuro político”, disse, enfatizando a sua disposição para assumir riscos.

No discurso de encerramento, Montenegro fez um apelo aos portugueses para que “não se deixem enganar” pelo Chega, alertando que a proposta de baixar a idade da reforma poderia resultar em cortes nas pensões no futuro. O primeiro-ministro também anunciou oito medidas, incluindo a criação de um fundo soberano para o Estado intervir em setores estratégicos e reformas na justiça administrativa e fiscal.

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O congresso contou com intervenções de vários ministros, destacando-se Maria do Rosário Palma Ramalho, da pasta do Trabalho, que expressou confiança na continuidade da reforma laboral, e Ana Paula Martins, da Saúde, que defendeu a responsabilidade no cumprimento do programa do Governo, apesar de ser impopular.

Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, também se fez ouvir, apontando como objetivo eleitoral uma vitória do PSD na autarquia da capital em 2029. No final do primeiro dia, houve uma homenagem a Francisco Pinto Balsemão, fundador do partido, e o regresso de Pedro Santana Lopes como militante do PSD, que elogiou a liderança de Montenegro.

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Fonte: Sapo

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