Reino Unido reaproxima-se da UE após dez anos de Brexit

Dez anos após a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o Governo liderado pelo Partido Trabalhista está a tentar uma reaproximação ao bloco europeu. No entanto, as chamadas “linhas vermelhas” definidas pelo executivo limitam a margem para alcançar acordos mais ambiciosos. Keir Starmer, que assumiu o cargo de primeiro-ministro em 2024, tem como objetivo “fazer com que o Brexit funcione”, mas mantém a promessa de não regressar à UE, ao mercado único, à união aduaneira ou à livre circulação de pessoas.

O plano do governo é ainda vago, focando-se em propostas como um acordo veterinário que visa reduzir os controlos nas fronteiras e os custos dos produtos alimentares. Além disso, pretende-se o reconhecimento mútuo de qualificações profissionais para impulsionar as exportações de serviços e facilitar as viagens de artistas em digressão. Contudo, passados dois anos, os resultados são escassos, com o governo apenas a negociar um acordo fitossanitário para facilitar a importação e exportação de bens agroalimentares.

A analista Jannike Wachowiak comentou que “um governo que pretenda respeitar essas linhas vermelhas não dispõe de grande flexibilidade nem margem de manobra”. Segundo ela, o governo cometeu erros e perdeu capital político devido à sua lentidão nas ações desde que chegou ao poder. Mesmo que Andy Burnham, um conhecido pró-europeu, suceda Starmer, os desafios permanecerão, especialmente no que diz respeito ao tempo necessário para as negociações técnicas com a UE.

As previsões sobre o impacto do Brexit variam, mas a BBC reportou recentemente que o crescimento económico do Reino Unido poderá estar 6% abaixo do esperado, de acordo com dados do Banco de Inglaterra. Um estudo da YouGov revelou que 57% dos britânicos acreditam que o Brexit foi um erro, incluindo 23% dos que votaram a favor da saída.

Leia também  Abrantes recebe 1 milhão para danos de 16 milhões após tempestade

Várias sondagens indicam que a maioria da população está aberta a um regresso à UE, embora muitos imponham condições, como a recuperação de isenções anteriores em áreas monetárias, de segurança ou justiça. Uma pesquisa da King’s College London mostrou que o apoio a um segundo referendo nas próximas eleições poderia aumentar de 31% para 45% se o Partido Trabalhista incluísse essa proposta no seu programa eleitoral.

A antiga funcionária pública Jill Rutter alertou para a necessidade de abordar estas intenções “com cautela”, dado o estado económico precário do país e o elevado custo de vida. “Uma das razões pelas quais se vê este debate a ser reaberto agora é porque, passados 10 anos, é evidente que o Brexit não melhorou o nível de vida, como era esperado”, concluiu.

Leia também: O impacto do Brexit na economia britânica.

Leia também: Fórum Brasil-União Europeia discute minerais críticos e energia

Fonte: ECO

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top