As negociações entre os Estados Unidos e o Irão, que tiveram início no último domingo na Suíça, estão a mostrar “grandes progressos”, de acordo com JD Vance, vice-presidente dos EUA. Vance, que foi designado por Donald Trump para liderar a delegação americana, chegou ao resort de Burgenstock para se encontrar com representantes iranianos e mediadores do Paquistão e do Qatar. Também fazem parte da delegação americana o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, assessor próximo de Trump.
No entanto, a situação complicou-se quando o Irão anunciou planos para fechar o Estreito de Ormuz, em resposta a uma série de ataques israelitas no Líbano. A Guarda Revolucionária Islâmica alertou os navios para se manterem afastados da hidrovia, considerando que as ações de Israel violam os compromissos de cessar-fogo. Esta decisão levou Trump a ameaçar o Irão nas redes sociais, afirmando que “o Irão deve impedir imediatamente que os seus PROXYS bem pagos no Líbano causem problemas”. A resposta iraniana foi rápida, com Teerão a declarar que não cederá às ameaças e que qualquer progresso nas negociações depende da vontade política de Washington.
Numa nova declaração à Fox News, Trump advertiu o Irão contra o encerramento do Estreito de Ormuz, afirmando que “se vocês o fecharem, não terão mais país”. Estas afirmações contrastam com o tom anterior de Trump, que havia reconhecido a responsabilidade de Israel na continuidade do conflito no Líbano. A retórica atual sugere que Trump voltou a isentar Israel de culpa, o que levanta questões sobre a sua capacidade de influenciar Netanyahu.
Por sua vez, o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, afirmou que não existem restrições para o exército israelita em relação à eliminação de ameaças no Líbano, garantindo que as tropas israelitas permanecerão na região “enquanto for necessário”. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, reforçou esta posição, indicando que a presença militar no sul do Líbano será mantida.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reiterou a disposição de Teerão em garantir que o país não pretende desenvolver armas nucleares, ao mesmo tempo que defende o direito de enriquecer urânio. Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atómica, também se reuniu com o ministro das Relações Exteriores da Suíça para discutir a situação do Irão e o papel da agência.
A delegação iraniana chegou a Zurique na noite de sábado, composta por vários altos funcionários, incluindo o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi. O primeiro-ministro do Qatar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, também estão presentes na Suíça para acompanhar os desenvolvimentos das negociações.
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Fonte: Sapo





