Portugal, juntamente com Espanha, França e Suécia, deu um passo significativo na defesa do direito dos cidadãos ao acesso ao dinheiro físico. Os quatro países formalizaram a criação da Denária Europa, a primeira plataforma civil europeia dedicada à proteção e promoção do numerário. Com sede em Bruxelas, esta nova organização visa intervir no debate sobre o futuro dos pagamentos, defendendo a coexistência entre meios digitais e numerário, promovendo um sistema mais equilibrado e inclusivo.
A Denária Europa é composta por várias entidades, incluindo a Denária Portugal, a Plataforma Denaria de Espanha, a Droit au Cash de França e a Kontantupproret da Suécia. A missão da plataforma é clara: ser uma confederação europeia que protege e promove o direito dos cidadãos europeus a aceder e utilizar livremente o numerário. Pedro da Cunha, da Denária Portugal, faz parte da direção da Denária Europa, que será presidida por Björn Eriksson, representante da plataforma sueca.
Num contexto de crescente digitalização dos pagamentos e de diminuição das infraestruturas que permitem o acesso ao dinheiro físico, a Denária Europa surge como uma voz importante. A plataforma defende que o numerário ainda desempenha um papel fundamental na inclusão financeira, na privacidade dos cidadãos e na segurança do sistema de pagamentos, especialmente em situações de emergência ou falhas nos meios digitais.
De acordo com dados do Banco Central Europeu (BCE), a percentagem de pagamentos presenciais realizados em dinheiro na área do euro diminuiu de 72% em 2019 para 52% em 2024. Apesar desta queda, 62% dos cidadãos da área do euro consideram importante ou muito importante manter a possibilidade de pagar em numerário, um valor que aumentou dois pontos percentuais entre 2022 e 2024.
A Denária Europa planeia publicar relatórios e barómetros sobre o acesso, aceitação e utilização do numerário, além de promover o diálogo com instituições europeias, reguladores e bancos centrais. A plataforma também pretende desenvolver campanhas que ajudem os cidadãos, especialmente os mais vulneráveis, a compreender as implicações da transformação do ecossistema de pagamentos.
É importante destacar que a Denária Europa não se opõe à inovação digital. A organização defende a coexistência de todos os meios de pagamento, permitindo que cada cidadão escolha livremente como deseja pagar. Pedro da Cunha sublinha que a criação desta confederação é um passo importante para garantir a liberdade de escolha dos cidadãos e o acesso ao numerário, que é considerado o meio de pagamento mais democrático e inclusivo.
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Fonte: ECO





