O aumento do comércio internacional tem tornado as micro, pequenas e médias empresas (PME) portuguesas mais vulneráveis ao risco cambial, especialmente através das importações extracomunitárias. Esta é a conclusão de uma análise divulgada pela Ebury, que destaca o crescimento das compras de bens fora da União Europeia, enquanto as exportações continuam a concentrar-se no espaço europeu. Esta mudança estrutural nas importações coloca as empresas portuguesas numa posição mais exposta.
No âmbito do Dia Internacional das PME, que se celebra a 27 de junho, a Ebury apresentou dados preocupantes sobre a evolução do risco cambial em Portugal. Em 2000, apenas 45,7% das importações eram provenientes de fora da zona euro, mas este número aumentou para 57,9% nos dias de hoje. A análise revela que, em 2025, a Ásia deverá representar 22,3% das importações, enquanto os Estados Unidos contribuirão com 6,8%. A China, em particular, tem-se afirmado como um fornecedor estratégico.
Esta evolução resulta numa maior dependência do dólar e de outras divisas asiáticas, criando uma “assimetria monetária”. As empresas continuam a faturar maioritariamente em euros, mas uma parte crescente dos seus custos é agora denominados em moeda estrangeira. Apesar da força do euro nos últimos tempos ter mitigado este problema, a situação pode mudar rapidamente caso haja uma valorização significativa de uma dessas divisas.
Gonçalo Vilas Boas, Country Manager da Ebury em Portugal, afirma que “o panorama do comércio externo já não é o que era há 25 anos”. Em 2000, a economia portuguesa estava fortemente ligada à Zona Euro, mas atualmente, o padrão é mais global e financeiramente exigente. Esta realidade implica que o risco cambial deixou de ser uma mera variável conjuntural, passando a ser um fator estrutural na competitividade das empresas.
A Ebury alerta que, embora a revalorização do euro em relação ao dólar possa proporcionar alívio a curto prazo, as oscilações cambiais podem rapidamente afetar as margens das empresas que não implementam uma política ativa de cobertura. Assim, o risco cambial deve ser encarado como uma questão central na gestão financeira das PME.
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risco cambial Nota: análise relacionada com risco cambial.
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Fonte: Sapo





