A Ucrânia conseguiu angariar mais de 10 mil milhões de euros durante a Conferência para a Reconstrução da Ucrânia, que teve lugar na cidade polaca de Gdansk. O evento, que terminou esta sexta-feira, resultou na assinatura de quase 200 acordos, contratos e cartas de intenção de apoio, conforme revelou a vice-ministra polaca dos Bens do Estado, Eliza Zeidler.
Zeidler expressou a sua satisfação com os resultados, afirmando que os participantes saíram de Gdansk com a sensação de que o tempo foi bem aproveitado. Embora o balanço da conferência seja positivo, a responsável sublinhou que ainda há espaço para discutir os efeitos das conversações que continuam a decorrer.
A primeira-ministra ucraniana, Yulia Sviridenko, destacou na rede social X que o encontro contou com a presença de cerca de 7.500 pessoas, incluindo 70 delegações estatais e 30 organizações internacionais. Entre os principais resultados, Sviridenko mencionou um acordo com o Banco Mundial no valor de 3,4 mil milhões de dólares (aproximadamente 2,9 mil milhões de euros) e um entendimento com o Banco Europeu de Investimento (BEI) para a restauração e proteção de estradas nas regiões ucranianas afetadas pela guerra.
Além disso, a Ucrânia conseguiu assegurar 140 milhões de euros para programas de habitação e o lançamento do Fundo Europeu para a Reconstrução. Este fundo já está pronto para funcionar, conforme anunciado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. A líder europeia também revelou que Kiev receberá em breve seis mil milhões de euros para a produção de drones.
A conferência em Gdansk, que também contou com a participação de cerca de 5.000 representantes do setor privado, abordou não apenas a defesa, mas também setores críticos como a energia e as infraestruturas. O presidente da Comissão dos Assuntos Externos do Parlamento polaco, Pawel Kowal, afirmou que o evento se consolidou como o mais relevante do ano na Europa em termos político-empresariais.
Os organizadores destacaram que os interesses económicos e o futuro comum da Europa prevaleceram sobre as tensões diplomáticas recentes entre a Polónia e a Ucrânia. O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, reiterou que “a cooperação prática está acima das emoções políticas passageiras”.
As relações entre os dois países têm sido tensas, especialmente após o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter nomeado uma unidade das forças especiais do exército ucraniano com o nome de “Heróis do Exército Insurgente Ucraniano”, um movimento controverso da II Guerra Mundial. Em resposta, o presidente polaco retirou a Zelensky a Ordem da Águia Branca, um prestigiado reconhecimento.
A conferência em Gdansk representa um passo significativo para a reconstrução da Ucrânia, que continua a enfrentar desafios enormes devido à invasão russa. Leia também: “Bruxelas estende proteção a refugiados ucranianos até 2028”.
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Fonte: ECO





