Este sábado assinalam-se dois anos desde que António Costa foi nomeado presidente do Conselho Europeu. Desde o início do seu mandato, que começou a 1 de dezembro de 2024, Costa tem liderado cerca de 30 cimeiras europeias e internacionais, destacando-se pela sua postura de diálogo e busca de consensos. No entanto, a sua presidência não tem estado isenta de controvérsias.
Recentemente, António Costa enfrentou críticas após um contacto do seu chefe de gabinete, o embaixador Pedro Lourtie, com autoridades russas, sem a devida consulta prévia aos países da União Europeia. Este episódio gerou indignação entre líderes de países como França e Alemanha, que consideraram a iniciativa uma quebra de anos de silêncio diplomático entre a UE e Moscovo. Um diplomata chegou a comparar a ação de Costa à de Charles Michel, seu antecessor, que frequentemente era acusado de não consultar os Estados-membros.
As reações mais contundentes vieram dos países bálticos. O primeiro-ministro da Estónia, Kristen Michal, afirmou que a UE não pode ser mediadora no conflito enquanto apoia a Ucrânia. O presidente da Lituânia, Gitanas Nausėda, também expressou a sua preocupação, afirmando que não é o momento certo para iniciar negociações com Putin.
O gabinete de António Costa defendeu que a aproximação à Rússia não visava iniciar negociações, mas sim abrir um canal de comunicação. A intenção seria preparar a UE para um eventual interesse de Vladimir Putin em dialogar sobre a paz. Contudo, o Politico reportou que Lourtie tinha, na verdade, avisado Paris e Berlim sobre o contacto, que se limitou a perguntar se Moscovo era a entidade com quem deveria falar.
Henrique Burnay, consultor em assuntos europeus, comentou que a abordagem de Costa pareceu mais alinhada com o que se espera de Bruxelas, sublinhando que a intenção não era ser mediador, mas sim manter um canal de comunicação aberto. A guerra entre a Ucrânia e a Rússia continua a ser um tema delicado, com os Estados-membros a quererem preservar o seu domínio sobre a política externa.
Apesar das críticas, Burnay não acredita que a situação comprometa a reeleição de António Costa para um novo mandato. A aceitação de Roberta Metsola como presidente do Parlamento Europeu poderia, de facto, reforçar a posição de Costa no Conselho, especialmente numa altura em que a representação socialista na UE é limitada.
Além disso, Costa enfrenta outro grande desafio: as negociações do Quadro Financeiro Plurianual (QFP) para 2028-2034, que ascendem a 2 biliões de euros. A pressão para que o orçamento seja decidido antes das eleições presidenciais em França em 2027 é elevada, uma vez que a instabilidade política pode afetar as negociações.
Para garantir o sucesso, Costa planeia visitar todos os Estados-membros antes do verão, uma estratégia considerada essencial por Burnay. O equilíbrio entre os interesses dos 27 países da UE será fundamental para a sua liderança e para o futuro da União.
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Fonte: ECO





