Os comerciantes e residentes de El Junquito, uma localidade nas montanhas que ligam Caracas ao Estado de La Guaira, expressam a sua preocupação face a alegados planos para demolir todos os edifícios do centro da povoação. Entre eles, encontram-se vários portugueses que temem que a demolição se concretize, apesar de algumas propriedades não terem sofrido danos significativos. No entanto, foi reportado que várias pequenas edificações, incluindo uma padaria de proprietários lusodescendentes, ruíram completamente.
Deisy Abreu, uma das residentes, fez um apelo aos engenheiros e autoridades competentes, solicitando uma avaliação das condições das edificações. “Queremos que alguém com conhecimento nos diga se realmente é necessário demolir, pois há edifícios que estão em boas condições”, afirmou. Deisy sublinhou que a situação é ainda mais complicada, uma vez que a demolição não afeta apenas lojas, mas também lares de famílias que ali viveram durante gerações.
A lusodescendente reconheceu que, se houver provas documentais que justifiquem a demolição, é legítimo que se tome essa decisão. Contudo, enfatizou a necessidade de apoio para as famílias que ficariam sem casa. “É preciso garantir que essas pessoas tenham um teto seguro”, disse.
A situação é ainda mais crítica para os moradores do bairro La Toma, que poderá ser demolido e onde residem mais de 30 famílias. “Essas pessoas não querem deixar os seus lares, onde viveram toda a vida”, lamentou Deisy. Ela também destacou que, após os sismos que afetaram a Venezuela, “todos estão necessitados” e que qualquer ajuda de Portugal seria bem-vinda.
Maria Esperanza González, outra residente de El Junquito, partilhou a sua preocupação. “Vivemos aqui toda a nossa vida e acreditamos que as nossas propriedades não precisam ser demolidas”, afirmou. Ela fez um apelo urgente às autoridades para que realizem estudos sobre a segurança das edificações, evitando assim decisões arbitrárias. “Precisamos de provas concretas sobre o que deve ser demolido”, acrescentou.
A comerciante Ana Pérez, que trabalha em El Junquito há 20 anos, expressou a sua frustração com a situação. “Temos muitos empregados e queremos manter as nossas lojas, pois dependemos delas e do turismo”, disse. Ana revelou ainda que, três dias após os sismos, a localidade continua sem eletricidade, o que agrava a situação, pois os produtos armazenados nos frigoríficos correm o risco de estragar.
A incerteza paira sobre El Junquito, onde comerciantes e residentes aguardam respostas sobre o futuro das suas propriedades. “Esperamos que as ajudas não cessem e que, quando as pessoas precisarem, não se esqueçam de nós”, concluiu Deisy Abreu.
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El Junquito Nota: análise relacionada com El Junquito.
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Fonte: Sapo





