BPCE promove soberania europeia nos pagamentos face a gigantes dos EUA

O Groupe BPCE, um dos principais grupos bancários e seguradores cooperativos em França, está a reforçar a sua posição no mercado europeu, defendendo a soberania europeia nos meios de pagamento. Durante uma apresentação em Paris destinada a jornalistas portugueses, a instituição revelou que, com a recente integração do Novobanco, Portugal se torna o segundo mercado doméstico do grupo, após a conclusão do processo a 30 de abril de 2026.

A análise das intervenções dos gestores do BPCE destaca a implementação do plano estratégico “Visão 2030”, que se apoia em rigorosos controlos de custos e níveis elevados de liquidez. O grupo acredita que um modelo cooperativo e descentralizado pode coexistir com a liderança em tecnologia, inovação em pagamentos e expansão bancária, gerando valor a longo prazo para acionistas e clientes.

Yves Tyrone, CEO do BPCE AI, Digital and Payments, apresentou a estratégia dual em Inteligência Artificial, que visa democratizar ferramentas através do assistente de IA generativa MAiA e otimizar a experiência do cliente. Com 74% dos colaboradores e 80% dos assessores bancários a utilizar IA, o grupo já contabiliza 700 mil interações automáticas nas suas aplicações móveis.

A plataforma de pagamentos Wero, que já conta com cerca de 54 milhões de utilizadores, está a expandir-se para o comércio eletrónico e lojas físicas, oferecendo uma alternativa europeia aos sistemas de pagamento dominantes, como Visa e Mastercard. Tyrone sublinhou que a evolução do Wero não implica o abandono das redes internacionais, mas sim a criação de um ecossistema interoperável com sistemas nacionais, como o MB Way em Portugal.

A urgência em garantir a soberania tecnológica e financeira da Europa é uma das principais preocupações do BPCE. O CEO alertou para o risco de os Estados Unidos desligarem os seus sistemas de pagamento na Europa, o que reforça a necessidade de um sistema de pagamentos europeu que beneficie tanto consumidores como bancos.

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Com a expansão do Wero, o BPCE pretende consolidar a sua presença em mercados como França, Bélgica e Alemanha, antes de avançar para outros países europeus, incluindo Portugal. O projeto Wero, que visa unificar os pagamentos entre contas bancárias na Europa, foi criado por um consórcio de bancos, incluindo o BPCE.

Além disso, o BPCE é um líder em Open Finance e soluções de pagamento para o futuro, tendo sido o primeiro grupo bancário francês a oferecer investimentos em criptoativos. Na área dos ativos digitais, o grupo investe em infraestruturas de custódia e já obteve licença para operar sob o regulamento MiCA, permitindo-lhe oferecer serviços regulados nesta área.

A transformação digital e a inovação contínua são vistas como essenciais para enfrentar a concorrência das fintechs, como a Revolut. O BPCE acredita que o euro digital terá um papel complementar aos meios de pagamento existentes, coexistindo com outras soluções de mercado.

Leia também: Como a inovação está a moldar o futuro dos pagamentos na Europa.

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Fonte: Sapo

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