O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou um aumento significativo na contribuição do país para o fundo do Mercosul, com um investimento de 100 milhões de dólares anuais, o que equivale a cerca de 87,58 milhões de euros. Este aporte destina-se ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), criado com o objetivo de reduzir as desigualdades entre os países que compõem este bloco económico. Os recursos do fundo do Mercosul são utilizados para financiar projetos essenciais de infraestrutura, como rodovias, energia e saneamento.
Lula fez este anúncio durante a 68.ª cimeira de chefes de Estado do Mercosul e países associados, que decorreu em Assunção, no Paraguai. O Presidente brasileiro sublinhou a importância da inclusão da Bolívia no fundo, considerando-a um “passo adicional para reduzir as assimetrias” existentes no bloco. Durante o seu discurso, Lula enfatizou que o Mercosul “precisa fazer diferença na vida das pessoas”, destacando que, desde a sua criação, o fundo já financiou mais de mil quilómetros de rodovias, 680 quilómetros de ferrovias, 750 quilómetros de linhas de transmissão elétrica e 100 quilómetros de redes de saneamento básico.
“Estamos prontos para lançar o FOCEM-II e aumentar a contribuição brasileira, com um aporte de 100 milhões de dólares anuais ao longo de uma década”, afirmou Lula. Neste momento, o fundo do Mercosul tem como meta receber até 100 milhões de dólares anuais de todos os Estados-membro, sendo o Brasil e a Argentina os principais financiadores, com 70% e 27% das contribuições, respetivamente.
Lula também destacou a necessidade de uma integração mais forte entre os países do Mercosul, afirmando que “na atual conjuntura, o Mercosul é uma necessidade estratégica”. O Presidente brasileiro criticou iniciativas unilaterais por parte dos Estados-membros e lamentou a falta de “instituições sólidas” na América do Sul. Ele defendeu que o bloco não deve depender das eleições de líderes individuais e que a força do Mercosul reside na sua capacidade de diálogo e cooperação.
Durante o discurso, Lula fez referência às eleições brasileiras que se aproximam, afirmando que “em outubro, o Brasil reafirmará a força de sua democracia”. Ele também abordou a relação com os Estados Unidos, afirmando que “ninguém é dono do mundo” e que a autonomia dos países do Mercosul deve ser preservada.
Além disso, Lula mencionou o início das negociações do Mercosul para um acordo com o Japão e expressou o desejo de estreitar laços com a China, buscando uma aproximação com os mercados mais dinâmicos do mundo. O Presidente brasileiro destacou ainda a importância do sistema de pagamento instantâneo PIX, que tem sido bem-sucedido no Brasil, e sugeriu que experiências nacionais devem ser compartilhadas entre os países do bloco como uma forma de fortalecer a integração financeira.
“A integração financeira reduzirá custos, fortalecerá o comércio intrabloco e aumentará nossa resiliência frente a choques externos”, concluiu. Antes de encerrar o seu discurso, Lula pediu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos sismos que afetaram a Venezuela na semana passada.
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Fonte: ECO





