A Irlanda, que assume a presidência rotativa da União Europeia (UE) este semestre, fez um apelo à Comissão Europeia para que “aja agora” no sentido de alterar o comportamento de Israel em Gaza e no Líbano. A ministra dos Negócios Estrangeiros, do Comércio e da Defesa, Helen McEntee, destacou a necessidade de respostas mais contundentes por parte de Bruxelas.
“Se todos nós na UE acreditamos que a paz na região só pode ser alcançada através de uma solução de dois Estados, então é imperativo que tomemos medidas imediatas”, afirmou McEntee durante uma conferência com jornalistas europeus, incluindo a Lusa. A ministra sublinhou que a Irlanda tem insistido na urgência de uma resposta mais forte à catástrofe humanitária em Gaza, que, segundo ela, é evitável.
Helen McEntee também fez referência à situação no Líbano, onde várias aldeias e cidades foram devastadas, sem perspectivas de regresso para os seus habitantes. “O que estamos a observar no Líbano e na Cisjordânia é um aumento da ocupação e da violência, com uma clara intenção de expandir ainda mais os territórios ocupados”, acrescentou.
A ministra irlandesa pediu à Comissão Europeia que apresente respostas mais eficazes, além da suspensão do acordo de associação com Israel, que não conta com apoio unânime. McEntee sugeriu que a questão fosse discutida no Conselho do Comércio, permitindo uma votação por maioria qualificada para encontrar um caminho a seguir.
Com Bruxelas a preparar um conjunto de medidas políticas e económicas em resposta à situação em Gaza e à expansão dos colonatos israelitas na Cisjordânia, a ministra expressou a esperança de que a Comissão apresente propostas que incluam a proibição do comércio nos territórios ocupados, indo além do que foi discutido até agora.
“Este é um momento crucial. Precisamos de agir rapidamente, não apenas de debater. Se não tomarmos decisões, não conseguiremos resultados”, alertou. O objetivo, segundo McEntee, é mudar o comportamento do governo israelita, sem punir a população.
As propostas que a Comissão Europeia deverá apresentar antes da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, marcada para 13 de julho de 2026, incluem a limitação do comércio com colonatos, ajustes ao Acordo de Associação UE-Israel e sanções direcionadas contra colonos violentos. No entanto, a aprovação destas medidas enfrenta divisões internas na UE, tornando a sua implementação incerta.
A Irlanda assume a presidência rotativa da UE até ao final de dezembro, sendo esta a sua oitava presidência. Leia também: “Presidência da UE: desafios e oportunidades para a Irlanda”.
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Fonte: ECO





