A queda da Nokia: complacência e ignorância no auge do sucesso

Em 2007, a Nokia estava no seu auge, controlando metade do mercado global de smartphones. Com uma receita líquida de 51 mil milhões de euros, um aumento de 24% em relação ao ano anterior, e a divisão de dispositivos móveis a gerar mais de 25 mil milhões, a empresa parecia invencível. No entanto, nos bastidores, a chegada do iPhone e do sistema operativo Android começava a moldar um novo cenário que a Nokia não conseguiu antecipar.

Alberto Prado, que trabalhou na Symbian Software, empresa adquirida pela Nokia, recorda como foi convidado a desenvolver uma estratégia de investigação e desenvolvimento para a gigante finlandesa. “Era um desafio interessante, e agarrei-o com entusiasmo”, afirma Prado, que esteve recentemente em Portugal a convite do Innov.Club. O seu objetivo era ajudar a Nokia a manter a competitividade num mercado em rápida transformação.

Apesar do entusiasmo inicial, a Nokia não conseguiu adaptar-se às mudanças. A empresa decidiu abandonar o sistema Symbian, levando a uma recepção negativa por parte do público. Em 2010, acumulando prejuízos, a Nokia vendeu a sua divisão de telemóveis à Microsoft por 6,3 mil milhões de dólares. Alberto Prado atribui a “morte” da Nokia a um sentimento de complacência comum entre líderes de mercado.

Fundada em 1865, a Nokia já tinha passado por várias transformações, incluindo uma transição de negócios de pneus para eletrónica de consumo. Contudo, desta vez, a empresa não conseguiu acompanhar as mudanças do mercado. “A Nokia tinha mais de 50% de quota de mercado e era praticamente imbatível. Redefinir o conceito de sucesso tornou-se complicado”, explica Prado, que descreve o ambiente na sede da Nokia em Espoo, Finlândia.

O sentimento de segurança levou a uma subestimação das novas ameaças. “Acreditávamos que a Apple e os smartphones Android não representavam uma ameaça”, recorda. A falta de compreensão sobre o novo mundo da internet e a arrogância em relação à concorrência formaram um “cocktail” que impossibilitou o sucesso da empresa.

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Atualmente, Alberto Prado é fundador da Novalia Advisory, onde atua como consultor para ajudar equipas executivas a alinhar as suas ambições com a reinvenção prática dos negócios. A história da queda da Nokia serve como um alerta sobre a importância da adaptação e da vigilância constante no mundo empresarial.

Leia também: O impacto da tecnologia na evolução do mercado de smartphones.

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Fonte: Sapo

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