Um estudo recente da Boston Consulting Group (BCG) revela que 60% das empresas não estão a conseguir capturar o valor real dos seus investimentos em Inteligência Artificial (IA). A pesquisa, intitulada “How Leaders Build an AI-First Cost Advantage”, destaca que a janela para recuperar uma vantagem competitiva está a fechar rapidamente.
Apesar de duas em cada três empresas investirem pelo menos 1,7% da sua receita em IA, a maioria reconhece que o impacto na redução de custos ou no crescimento das receitas é reduzido ou até nulo. O relatório indica que a diferença entre as empresas líderes e as restantes não reside apenas na tecnologia que utilizam, mas na forma como integram a IA numa transformação estrutural dos seus modelos operacionais.
As empresas que estão mais avançadas na implementação de IA conseguem reduções de custos três vezes superiores às dos seus concorrentes, com margens operacionais 1,6 vezes mais elevadas e um retorno sobre o capital investido 2,7 vezes superior. A BCG sublinha que o valor da IA não provém apenas da tecnologia: apenas 30% do impacto de uma implementação típica advém dos algoritmos e da tecnologia, enquanto os restantes 70% dependem do redesenho de processos e da transformação operacional.
Para as empresas que desejam sair do grupo dos 60% que não capturam valor, o estudo apresenta quatro prioridades. A primeira é começar onde a IA já demonstra valor, focando em workflows com soluções maduras que possam gerar resultados em poucas semanas. Por exemplo, a função de compras pode gerar poupanças significativas em revisões de fornecedores e otimização de inventário.
A segunda prioridade é redesenhar processos em vez de apenas os automatizar. Um exemplo prático é uma empresa global de bens de consumo que desenvolveu ferramentas de IA generativa, resultando numa redução de até 90% do tempo em tarefas rotineiras de marketing.
A terceira prioridade envolve a utilização de IA agêntica em processos complexos. Sistemas que observam, planeiam e atuam de forma autónoma têm mostrado resultados impressionantes, como a redução de 25% a 40% do tempo em workflows críticos.
Por fim, a quarta prioridade é garantir que cada ganho de eficiência esteja ligado a um resultado financeiro claro. É essencial que cada iniciativa tenha uma lógica financeira que explique como impactará a Demonstração de Resultados.
José Ferreira, Managing Director e Partner da BCG em Lisboa, afirma que o desafio para muitas empresas já não é identificar casos de uso, mas sim transformar a eficiência potencial em resultados financeiros consistentes. As empresas que já avançaram na adoção da IA estão a beneficiar de poupanças que financiam a transformação operacional, tornando a IA mais escalável e rentável.
A BCG alerta que a janela para construir uma vantagem estrutural de custos com base na IA está aberta, mas não por tempo indeterminado. Para os líderes empresariais, a questão não é se devem investir em IA, mas sim se o fazem com a disciplina necessária para que esses investimentos se traduzam em resultados concretos.
Leia também: O impacto da IA nas empresas portuguesas.
Inteligência Artificial Inteligência Artificial Inteligência Artificial Inteligência Artificial Nota: análise relacionada com Inteligência Artificial.
Leia também: Aposte em ações de longo prazo: duas escolhas inteligentes
Fonte: Sapo





