Guterres pede regulação internacional da inteligência artificial

António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, fez um apelo esta segunda-feira para a criação de uma regulação da inteligência artificial a nível internacional. Durante a abertura do primeiro encontro global sobre a “Governação da IA”, realizado em Genebra, Guterres enfatizou a necessidade de uma estrutura de regulação bem planeada e organizada. O objetivo é evitar que o “futuro da humanidade” seja deixado ao “sabor do improviso” em face das rápidas inovações tecnológicas.

O secretário-geral sublinhou que a escolha que se coloca à sociedade não é entre confiar cegamente na inteligência artificial ou temê-la, mas sim entre estabelecer uma governação eficaz e um futuro incerto, entregue ao acaso. “Precisamos de uma regulação da inteligência artificial que garanta a segurança e a ética nas suas aplicações”, afirmou Guterres.

O líder da ONU também fez referência ao fenómeno do “vibe-coding”, que consiste na criação de código informático por pessoas sem formação técnica específica. Guterres alertou que, embora essa prática possa trazer inovações, não podemos permitir que o futuro da humanidade seja decidido com base em abordagens tão aleatórias. “A regulação da inteligência artificial deve ser uma prioridade global”, reiterou.

Além disso, a discussão sobre a regulação da inteligência artificial não é nova. No início de maio, a encíclica do Papa Leão XIV, intitulada “Magnifica Humanitas”, já defendia uma regulamentação rigorosa da IA, especialmente considerando os avanços na tecnologia militar e as suas implicações sociais. O Papa afirmou que não é aceitável confiar decisões letais e irreversíveis a sistemas de inteligência artificial, reforçando a necessidade de um controlo ético sobre estas tecnologias.

A regulação da inteligência artificial é, portanto, um tema que está a ganhar cada vez mais destaque nas agendas internacionais. Com a crescente influência da IA em diversos setores, desde a saúde até à segurança, a implementação de normas claras e eficazes é fundamental para garantir que estas tecnologias sejam utilizadas de forma responsável e benéfica para a sociedade.

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Fonte: ECO

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