Irão não negociará acordo com EUA enquanto houver ameaças

O Irão anunciou que não iniciará as negociações para um acordo final com os Estados Unidos enquanto o Presidente norte-americano, Donald Trump, continuar a fazer ameaças à República Islâmica. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, afirmou na rede social X que “o parágrafo 13 do Memorando de Entendimento é claro: as negociações sobre o acordo final não começarão enquanto as ameaças persistirem”.

Araqchi acompanhou a sua mensagem com uma imagem do cortejo fúnebre do líder supremo Ali Khamenei, assassinado em Teerão, destacando a união do povo iraniano. O ministro sublinhou que nem os cidadãos iranianos nem as Forças Armadas se deixarão intimidar por qualquer tipo de ameaça.

Na segunda-feira, Trump declarou que, caso não se chegue a um acordo com Teerão, “terminará o serviço” através de ataques às infraestruturas e instalações energéticas do Irão. Esta declaração aumentou as tensões já existentes entre os dois países.

O parágrafo 13 mencionado por Araqchi estabelece que as negociações para um acordo final devem começar após a implementação de várias cláusulas do memorando assinado a 17 de junho. Estas cláusulas incluem o fim da guerra em todas as frentes, a reabertura do estreito de Ormuz, a libertação de fundos iranianos congelados e a suspensão das sanções ao petróleo.

Desde a assinatura do memorando, o Irão e os Estados Unidos realizaram duas rondas de negociações de alto nível. Segundo as autoridades iranianas, o foco destas conversações tem sido a implementação das cinco cláusulas antes de se avançar para discussões sobre o programa nuclear do Irão.

Apesar do memorando e das negociações em curso, as tensões entre Teerão e Washington aumentaram nas últimas semanas. O Irão tem estado envolvido em ataques a vários navios, enquanto os EUA realizaram ataques aéreos contra alvos militares na costa sul do Irão. Esta disputa pelo controlo do estreito de Ormuz tem gerado preocupações a nível internacional.

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A República Islâmica afirma que todos os navios que desejem transitar pelo estreito devem obter a sua permissão e seguir rotas estabelecidas por Teerão. Hoje, a UK Maritime Trade Operations (UKMTO), responsável pela monitorização da segurança marítima, reportou um novo ataque a um petroleiro no Golfo de Omã, próximo do estreito de Ormuz.

Leia também: O impacto das tensões no mercado de petróleo.

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Fonte: Sapo

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