Duas equipas de jornalistas e investigadores portugueses foram selecionadas na segunda ronda de bolsas do programa ‘Journalism Science Alliance’ (JSA), uma iniciativa cofinanciada pela União Europeia que visa promover o jornalismo de investigação baseado em evidências científicas. Esta notícia foi divulgada pelos responsáveis do projeto, a Universidade Nova de Lisboa e o European Journalism Centre.
Helena Pereira, editora do Público, e Guilherme Loureiro, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, irão desenvolver o projeto intitulado “Genealogia do Poder”. O objetivo é identificar as genealogias dos detentores de posições-chave em todos os governos portugueses desde 1926. A equipa pretende analisar as ligações familiares dos principais políticos, focando na mobilidade social da classe política ao longo das décadas e através de dois regimes: o autoritarismo, que vigorou entre 1926 e 1974, e a democracia, que se iniciou em 1974.
Por outro lado, o jornalista Frederico Raposo, da Mensagem de Lisboa, irá colaborar com o investigador Eduardo Ascensão, do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (IGOT), da Faculdade de Letras de Lisboa. O projeto deles, intitulado “Quem possui Lisboa?”, surge em resposta à crise de habitação que afeta a capital. Através da ligação de uma vasta base de dados de registo predial com a realidade do mercado imobiliário, a equipa pretende realizar uma análise empírica e rastrear ativos empresariais.
Os autores do projeto têm como foco o centro de Lisboa e pretendem apurar a realidade das estruturas de propriedade imobiliária, considerando fatores como investimento especulativo, propriedade empresarial, alugueres de curto prazo e antigos ativos públicos. O trabalho de Raposo e Ascensão culminará na produção de seis artigos multimédia, com o intuito de substituir impressões por evidências, promovendo um debate público mais transparente e informado sobre as causas da desigualdade habitacional.
Nesta segunda convocatória, o programa JSA atribuiu um total de 995 mil euros em financiamento a 25 projetos de 14 países europeus. Desde o seu lançamento em 2025, o JSA recebeu 339 candidaturas e selecionou 49 projetos, totalizando um investimento que se aproxima dos dois milhões de euros, com o objetivo de fortalecer a credibilidade do jornalismo de investigação na Europa.
Cada projeto é desenvolvido em parceria entre um órgão de comunicação social e uma instituição de investigação, sendo liderado por um jornalista e co-liderado por um cientista. Além de Portugal, as equipas selecionadas nesta ronda incluem organizações da Bulgária, República Checa, Estónia, França, Alemanha, Hungria, Itália, Países Baixos, Polónia, Roménia, Eslovénia, Espanha e Ucrânia, abrangendo um total de 24 países europeus.
As investigações, que terão uma duração de oito meses, focam-se em temas de elevado interesse público. Embora a maioria dos projetos selecionados aborde questões ambientais, também são contempladas áreas como saúde, justiça e tecnologia.
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Fonte: Sapo





