A taxa de penetração do seguro agrícola em Portugal continua a ser alarmantemente baixa, situando-se abaixo dos 2%. Este tema foi abordado na recente talk “Agricultura sem seguro: um risco que Portugal pode continuar a ignorar?”, realizada no Fórum Nacional de Seguros 2026. A conversa contou com a participação de Filipe Charters de Azevedo, Mandatário Geral da Hagel Seguros Agrícolas, e Silvia Marques dos Santos, Diretora de Produção e Marketing da Agroseguro, em Espanha.
Filipe Charters de Azevedo sublinhou que muitos produtores veem o seguro agrícola como uma forma de subsidiação, em vez de o encararem como uma ferramenta de gestão de risco. “Essa é talvez a maior dificuldade”, afirmou. O especialista destacou que o “protection gap” é elevado, com exceção de algumas culturas. Por exemplo, o tomate apresenta uma taxa de penetração de 98%, enquanto a vinha ronda os 60%. No entanto, a maioria das outras culturas não ultrapassa os 2% de cobertura.
Silvia Marques dos Santos acrescentou que o volume de negócios em Portugal poderia ser comparável ao de um corretor de seguros agrícolas em Espanha, mesmo que não seja dos mais produtivos. “A agricultura é mais ou menos similar nos dois países, mas o sistema espanhol é mais maduro”, explicou. Em Espanha, foi criado um sistema público-privado que envolve tanto as administrações públicas como as seguradoras e as organizações de produtores. Este modelo permite que as partes interessadas definam em conjunto as regras para a evolução do seguro agrícola.
A baixa adesão ao seguro agrícola em Portugal levanta preocupações sobre a sustentabilidade do setor e a capacidade dos agricultores de se protegerem contra riscos, como as alterações climáticas e as flutuações de mercado. A falta de um sistema robusto de seguros pode resultar em perdas significativas para os produtores, que muitas vezes não têm alternativas viáveis para mitigar os riscos.
Para os agricultores, a promoção de uma cultura de proteção e a compreensão dos benefícios do seguro agrícola são fundamentais. É essencial que os produtores comecem a ver o seguro como uma parte integrante da sua estratégia de negócios, em vez de uma despesa adicional.
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Fonte: ECO





