A eficiência energética tem vindo a ganhar destaque no mercado imobiliário português, tornando-se um fator crucial para quem compra ou vende imóveis. Embora a localização, a área e o estado de conservação sejam tradicionalmente as principais preocupações, a eficiência energética surge agora como um elemento diferenciador que pode influenciar significativamente o valor das propriedades.
Com os custos de energia a representar uma parte considerável do orçamento familiar, optar por uma casa energeticamente eficiente pode resultar em despesas mais baixas, maior conforto e menos necessidade de obras futuras. Assim, a eficiência energética não é apenas uma questão ambiental, mas também uma consideração económica que pode afetar a atratividade dos imóveis e as condições de acesso ao crédito habitação.
Para saber qual a classe energética de um imóvel, é necessário consultar o certificado energético, um documento que avalia a quantidade de energia necessária para garantir condições adequadas de conforto térmico ao longo do ano. Este certificado, emitido pela ADENE – Agência para a Energia, atribui uma classificação que varia de A+ (mais eficiente) a F (menos eficiente), e inclui recomendações para melhorar a eficiência energética da habitação.
O certificado energético avalia diversos fatores, como o isolamento das paredes, a eficiência das janelas, os sistemas de aquecimento e arrefecimento, e a utilização de energias renováveis. O objetivo é determinar a energia necessária para aquecer e arrefecer a casa, bem como para a produção de água quente. Dependendo da classificação obtida, um imóvel pode ser considerado muito eficiente, eficiente, moderadamente eficiente, pouco eficiente ou muito pouco eficiente.
É importante notar que, ao vender um imóvel, o proprietário é legalmente obrigado a disponibilizar o certificado energético, que deve ser incluído na documentação da transação. Esta transparência permite que os potenciais compradores conheçam o desempenho energético da casa e façam comparações entre diferentes opções.
Embora o certificado energético não defina diretamente o preço de um imóvel, a sua classificação pode influenciar a percepção do mercado. Imóveis com uma boa eficiência energética tendem a ser mais atrativos, pois exigem menos energia para manter temperaturas confortáveis, resultando em faturas de energia mais baixas e maior conforto térmico. Por outro lado, uma casa com uma classificação baixa pode levantar dúvidas sobre os custos futuros e a necessidade de investimentos em melhorias.
Além disso, o certificado energético pode ser uma ferramenta útil na negociação do preço. Se o documento indicar a necessidade de intervenções significativas, como a substituição de janelas ou o reforço do isolamento, o comprador pode solicitar um desconto no preço do imóvel.
O setor financeiro também está a adaptar-se a esta nova realidade. Nos últimos anos, muitos bancos têm introduzido produtos de crédito habitação que favorecem imóveis com boa eficiência energética, como o crédito habitação verde. Estes produtos costumam oferecer condições mais vantajosas, como taxas de juro mais baixas, para imóveis classificados como A+, A ou B.
A procura por imóveis energeticamente eficientes está a aumentar, refletindo uma mudança nas preferências dos consumidores. Muitos estão a optar por financiar melhorias na eficiência energética das suas habitações, como a instalação de janelas eficientes ou sistemas de energias renováveis.
À medida que a procura por habitações com bom desempenho energético cresce, é expectável que a classificação energética dos imóveis ganhe ainda mais importância no mercado. Para os vendedores, isso representa uma oportunidade de investir em melhorias que tornem os seus imóveis mais atrativos.
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Fonte: Doutor Finanças





