Inflação em Moçambique sobe para 7,51% em junho de 2023

Os preços em Moçambique registaram um aumento de 0,2% em junho de 2023, uma desaceleração em comparação com os 2,32% observados em maio. Contudo, a inflação homóloga agravou-se, alcançando os 7,51%, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O Índice de Preços no Consumidor (IPC) de junho, consultado pela Lusa, revela que os setores mais influentes neste aumento foram os Transportes e a Habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis, que contribuíram com 0,10 e 0,06 pontos percentuais, respetivamente. Este cenário surge após uma crise no fornecimento de combustíveis em abril, provocada pelo conflito no Médio Oriente, que resultou num aumento significativo dos preços dos combustíveis. O litro de gasóleo subiu 45,5% e o preço da gasolina aumentou 12,1% a partir de 7 de maio.

O relatório do IPC destaca ainda as variações mensais em vários produtos e serviços. Os transportes semicoletivos urbanos e suburbanos de passageiros aumentaram 2,3%, o cimento subiu 2,2%, enquanto o peixe fresco e os detergentes em pó registaram uma subida de 1,9%. Os transportes por barco e ferry-boat de passageiros tiveram um aumento acentuado de 13,5%.

A inflação acumulada desde janeiro de 2023 já se cifra em 5,4%, enquanto a variação homóloga, comparando com o mesmo mês do ano anterior, subiu para 7,51%. Em 2022, Moçambique tinha registado uma inflação de 3,23% ao longo do ano, um valor inferior ao de 2021 e às previsões do Governo, que esperava uma inflação em torno de 7% para 2023.

Vale lembrar que, em 2024, a inflação acumulada foi de 4,15%, abaixo dos 5,3% de 2023, mas ainda distante do pico de quase 13% alcançado em julho de 2022. O Banco de Moçambique, em resposta a estas flutuações, decidiu manter a taxa de juro de referência em 9,25% e aumentar o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional. O governador do banco central, Rogério Zandamela, alertou para a possibilidade de a inflação disparar para dois dígitos, devido à crise dos combustíveis.

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“Esta decisão resulta das incertezas sobre a duração do conflito no Médio Oriente e o seu impacto na cadeia logística e na oferta de bens, assim como nos preços internacionais e domésticos dos combustíveis e alimentos”, explicou Zandamela. O Comité de Política Monetária (CPMO) do banco central, que se reúne a cada dois meses, decidiu manter a taxa inalterada, após 12 cortes consecutivos desde janeiro de 2024. A continuidade dessa pausa no “relaxamento” da taxa MIMO dependerá da evolução do contexto nacional e internacional.

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Fonte: Sapo

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