No segundo trimestre de 2026, o mercado imobiliário residencial em Portugal apresentou um claro abrandamento, com os preços das casas a registarem uma queda de 3,4% em relação ao trimestre anterior. Segundo o Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças, tanto os preços de venda como os de arrendamento recuaram entre abril e junho, refletindo uma mudança no equilíbrio entre a oferta e a procura.
O preço médio por metro quadrado das casas à venda fixou-se em 3.544 euros, descendo de 3.667 euros no primeiro trimestre. Esta tendência não foi uniforme em todo o território nacional, uma vez que 11 distritos e regiões autónomas registaram aumentos nos preços das casas, enquanto nove apresentaram descidas. As maiores valorizações ocorreram no interior do país, com Viseu a destacar-se com um aumento de 8,6%, seguido de Santarém (+5,8%) e Portalegre (+3,4%). Por outro lado, as maiores quedas foram observadas em Viana do Castelo (-5,3%), Setúbal (-5,2%) e Évora (-4,7%).
Os imóveis de gama média e alta foram os mais afetados pela descida dos preços, com as casas de gama intermédia a descerem de 419.900 euros para 390.000 euros, uma queda de 7,1%. As casas mais caras também sofreram uma correção significativa, com uma descida de 7,2%. Em contraste, as casas mais baratas mostraram maior resistência, com uma redução de apenas 3,7%.
No mercado de arrendamento, a situação é ainda mais acentuada, com o valor médio por metro quadrado a descer 4,2%, fixando-se em 15,46 euros. Évora liderou as descidas com uma queda de 12,8%, enquanto Lisboa e Porto também contribuíram para a média nacional com uma descida de 4,0%.
Além disso, o tempo médio para a venda de moradias aumentou 54%, atingindo 184 dias, enquanto os apartamentos registaram uma redução de 15%. No arrendamento, as moradias demoram agora 150 dias a serem arrendadas, um aumento de 20%. A taxa de absorção no mercado de venda também recuou ligeiramente, indicando que, embora o mercado continue ativo, os negócios estão a demorar mais tempo a serem concretizados.
Apesar da descida dos preços, o esforço financeiro para adquirir uma casa continua elevado. O Índice de Acessibilidade Habitacional revela que, em junho, a prestação média de um apartamento T2 absorvia 49% do rendimento líquido de um casal com salário médio, uma ligeira melhoria em relação aos 50% de abril.
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Fonte: Doutor Finanças





