Atrelado apreendido pela PJ encontrado em empresa de amigo de Neves

A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar como um atrelado apreendido numa operação de tráfico de droga foi parar às instalações da Construbarcelos, uma empresa de João Santos Carvalho, que é empreiteiro e amigo do ministro da Administração Interna, Luís Neves. Esta situação foi revelada pelo jornal Sol e levanta questões sobre a gestão de bens apreendidos.

O atrelado em questão foi confiscado em dezembro de 2024 durante a Operação Pacoba, que resultou no desmantelamento de um dos maiores laboratórios de cocaína da Europa. No passado sábado, uma equipa de reportagem do SOL/TVI/CNN Portugal encontrou o atrelado acoplado a um camião da empresa Construbarcelos. Contudo, dias depois, o atrelado já não se encontrava no local.

Após a descoberta, a PJ confirmou que o atrelado apreendido deveria ter sido removido para o parque de apreendidos no Seixal, onde estava guardado antes de desaparecer em 2025. A investigação está agora focada em esclarecer como é que um bem apreendido no âmbito de um processo-crime foi transferido para a posse de um particular.

Fontes ligadas à Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes indicaram que havia intenção de deter João Santos Carvalho por alegado flagrante delito. Importa referir que, na altura da apreensão do atrelado, Luís Neves era o diretor nacional da PJ. De acordo com o Sol, apenas o diretor nacional da PJ tem a competência para autorizar a movimentação de bens apreendidos em processos que estão sob a tutela do Ministério Público.

O atrelado apreendido pertence originalmente a Armando Caixeirinho, identificado como líder da rede desmantelada na Operação Pacoba e que se encontra em fuga à Justiça, sob um mandado de detenção europeu. A situação levanta dúvidas sobre a transparência e a legalidade na gestão de bens apreendidos, especialmente quando estão envolvidos altos responsáveis da administração pública.

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Fonte: ECO

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