Um estudo da FINCOM Alliance indica que a geopolítica tornou-se o principal foco da agenda dos jornalistas financeiros em Portugal, superando temas como a inteligência artificial (IA) e os critérios ESG. Este fenómeno ocorre num contexto marcado por tensões internacionais, como o conflito com o Irão, a volatilidade dos preços da energia e as pressões inflacionistas.
De acordo com o relatório intitulado “Asset Management Outlook H2 2026 – The pan-European View from the Financial Press”, que envolveu mais de 30 jornalistas especializados de seis países europeus, os profissionais em Portugal consideram que fatores como o conflito no Irão, o impacto nos custos de energia e a inflação serão determinantes na cobertura dos mercados financeiros até ao final do ano. A geopolítica, assim, deixou de ser um tema secundário para se tornar a lente através da qual se analisam outras tendências no setor da gestão de ativos.
No panorama português, a relação entre risco geopolítico e risco de mercado é vista como a mais relevante, ultrapassando discussões sobre IA, ETFs e sustentabilidade. O estudo também revela que, embora existam diferenças entre os mercados europeus, quatro temas emergem como comuns: a geopolítica, o crescimento dos ETFs, a integração da IA e a democratização dos mercados privados. Contudo, a abordagem varia de país para país. Por exemplo, enquanto Portugal foca nas consequências económicas dos conflitos internacionais, a França concentra-se no financiamento da defesa, e a Itália destaca a consolidação bancária.
O estudo também aponta uma diminuição da relevância dos temas relacionados com a sustentabilidade em Portugal, ao contrário do que se observa em outros mercados europeus, onde esses tópicos continuam a gerar debate, embora com um certo ceticismo. Simultaneamente, cresce o interesse em iniciativas que promovam a competitividade europeia e a autonomia estratégica da União Europeia.
José Aguiar, fundador da ALL Comunicação e representante português da FINCOM Alliance, sublinha que a cultura de investimento cauteloso em Portugal e o peso da distribuição bancária contribuem para uma maior atenção ao risco geopolítico. Assim, questões como energia, inflação e taxas de juro emergem como prioridades para os jornalistas financeiros, enquanto temas como IA e ESG, apesar de ainda serem relevantes, têm recebido menos destaque na cobertura mediática.
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geopolítica geopolítica Nota: análise relacionada com geopolítica.
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Fonte: Sapo





