Investimento em startups na economia azul é apenas 5%

Apesar do aumento do investimento em inovação e empreendedorismo em Portugal, a economia azul continua a receber uma parte muito reduzida desses fundos. De acordo com Isabel Carneiro Kahlen, co-head da Team Genesis da Morais Leitão, apenas 5% dos cerca de 537 milhões de euros destinados a startups através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) foram direcionados para projetos relacionados com o mar. Esta informação foi partilhada durante a conferência “Matosinhos e a Nova Economia do Mar”.

Isabel Carneiro Kahlen sublinhou que, embora o setor da economia azul ainda esteja em fase de crescimento, existem sinais positivos. “Parece uma economia incipiente, mas está a dar passos importantes”, afirmou, referindo-se ao surgimento de startups nas áreas da aquicultura, robótica, software, energias limpas e biotecnologia azul.

O ecossistema empreendedor português tem atraído cada vez mais investidores privados, especialmente com o advento da inteligência artificial. Kahlen destacou que o número de business angels, tanto nacionais como internacionais, a investir em projetos de mar tem crescido exponencialmente. “Estão a ser desenvolvidos projetos em tecnologia que podem ser utilizados para fins civis e militares, impulsionados por um fundo da NATO para investimento em defesa”, explicou.

Ainda assim, a jurista alertou para o desafio de transformar inovação em valor económico. “Temos muitas ideias e investimento, mas a dificuldade está em gerar valor acrescentado. Muitas vezes, vendemos a nossa tecnologia a preços baixos e depois alguém a utiliza para criar um produto”, lamentou.

Luísa Salgueiro, Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, também abordou o potencial da economia azul, destacando a importância do concelho na criação de um ecossistema ligado ao mar. Atualmente, a UPTEC Mar alberga 70 startups na área da economia azul, que têm contribuído para a transformação da economia regional e nacional. A autarca defendeu a criação de um centro europeu de biotecnologia azul na antiga refinaria de Leça da Palmeira, um projeto que ainda não avançou. “A Câmara disponibilizou 20 hectares para este hub, e é inaceitável que não haja evolução”, frisou.

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Do lado da indústria, Manuel Tarré, CEO da Gelpeixe, enfatizou a importância de alinhar inovação com competitividade. A empresa tem investido em eficiência energética, como a eletrificação dos sistemas de frio. “O retorno do investimento é aceitável, entre quatro a cinco anos”, afirmou. Contudo, alertou para a necessidade de descarbonização respeitar a realidade de cada país, evitando legislações que possam comprometer a sobrevivência das empresas.

Paulo Machado, administrador da Ramirez, destacou a importância de investir em conhecimento científico e monitorização dos recursos marinhos. “Precisamos de usar todas as tecnologias disponíveis para monitorizar os nossos recursos. A falta de medidas preventivas levou a uma redução drástica na pesca da sardinha”, alertou. Segundo ele, a monitorização inadequada compromete a capacidade de Portugal ser uma reserva alimentar para a Europa. “Estamos a pescar insuficientemente e as nossas infraestruturas não estão preparadas para receber o peixe”, concluiu.

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economia azul Nota: análise relacionada com economia azul.

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Fonte: ECO

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