Barcelona anunciou um novo limite de 16 milhões de turistas por ano, uma decisão que visa promover um turismo sustentável na cidade. Segundo o responsável pela estratégia turística, Donaire, a mensagem é clara: “nem mais um turista”. O objetivo não é eliminar o turismo, mas estabilizar o número de visitantes a um nível que a cidade considera sustentável. Em 2025, Barcelona recebeu cerca de 15,7 milhões de turistas, um número que agora é visto como o máximo desejável.
Esta iniciativa surge após anos de pressão sobre a cidade, onde o turismo tem contribuído para o aumento dos preços da habitação, a sobrecarga dos transportes públicos e a descaracterização de bairros históricos. Desde 2017, o município tem implementado várias medidas, incluindo a limitação de novos hotéis, a criação de uma taxa turística e a proibição de alojamento local prevista para 2028.
A estratégia de turismo sustentável de Barcelona não se limita apenas a reduzir o número de visitantes, mas também a alterar o perfil dos turistas que a cidade atrai. Atualmente, cerca de dois terços dos turistas visitam a cidade por lazer, um desequilíbrio que a administração pretende corrigir. A meta é ter um terço de turismo de negócios, um terço cultural e um terço de lazer. Para isso, a promoção internacional está a ser redirecionada para experiências culturais e eventos, em vez de turismo massificado.
A comunicação institucional também foi alterada, passando de “Visit Barcelona” para “This Is Barcelona”, refletindo uma tentativa de mostrar a identidade local em vez de apenas atrair visitantes. Entre as medidas mais controversas está a intenção de eliminar escalas de cruzeiros de curta duração, que trazem visitantes que permanecem apenas algumas horas na cidade. A proposta é aumentar significativamente as taxas até tornar essas paragens economicamente inviáveis.
Além disso, a cidade quer recuperar espaços emblemáticos para os residentes. Um exemplo é o mercado da Boqueria, que, segundo Donaire, deixou de servir os habitantes locais e passou a estar dominado por produtos direcionados a turistas. “O mercado tem de continuar a ser um mercado”, afirmou, sublinhando que estão a ser criados incentivos para que os comerciantes voltem a vender produtos essenciais e não apenas comida pronta.
Outro foco da estratégia é a requalificação de zonas como Las Ramblas, onde o município pretende reduzir negócios orientados exclusivamente para turistas e incentivar o regresso dos moradores. Estudos indicam que muitos habitantes deixaram de frequentar esta área por já não a considerarem parte do seu quotidiano.
Apesar das restrições, o turismo continua a ser vital para a economia local, representando cerca de 13% das receitas da cidade. Donaire defende, no entanto, que o direito dos cidadãos a viver na cidade deve ser a prioridade. A taxa turística permitirá financiar serviços públicos e iniciativas de reequilíbrio urbano, numa lógica em que os próprios visitantes ajudam a mitigar o impacto da sua presença.
A estratégia de Barcelona insere-se numa tendência crescente entre cidades europeias que enfrentam o fenómeno do overtourism. A definição explícita de um limite máximo de visitantes coloca a capital catalã na linha da frente de um novo modelo de gestão turística — mais restritivo, mas focado na sustentabilidade e na qualidade de vida urbana. A mensagem é clara: Barcelona continua aberta ao mundo, mas dentro de limites bem definidos.
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Fonte: Sapo





