Eixo franco-alemão elabora roteiro sobre comércio com a China

O chanceler alemão, Friedrich Merz, e o Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciaram que irão apresentar, em setembro, um “roteiro” conjunto sobre as relações comerciais com a China. Este anúncio foi feito após uma conferência de imprensa que se seguiu a um Conselho de Defesa e Segurança e a um Conselho de Ministros franco-alemão, realizado em Bruhl, na Alemanha.

Macron revelou que os ministros da Economia, Finanças e Negócios Estrangeiros de ambos os países já estão a trabalhar neste plano, que visa abordar as preocupações sobre a concorrência desleal que a China tem imposto à indústria europeia. O Presidente francês expressou a intenção de iniciar um diálogo com Pequim sobre questões cambiais e a abertura dos mercados financeiros, com o objetivo de corrigir as “disfunções” existentes.

As declarações de Macron surgem num contexto em que o défice comercial da União Europeia em relação à China ultrapassa mil milhões de euros por dia. A Europa atribui grande parte deste desequilíbrio às práticas desleais de Pequim, especialmente em termos de política monetária e subsídios. “Estamos hoje a ser pressionados”, afirmou Macron, acrescentando que a China “não respeita as regras do jogo”.

Por sua vez, Merz destacou que não deseja um novo conflito comercial com a China, mas sublinhou a importância de manter um diálogo aberto sobre os desequilíbrios que afetam a indústria e os postos de trabalho na Europa. Em declarações anteriores, o chanceler já havia criticado a política monetária chinesa, apontando as consequências negativas para a Alemanha, que enfrenta desafios devido a “importações muito elevadas, produtos subsidiados e, em última análise, aos preços”.

Além disso, Macron manifestou a intenção de pressionar a Comissão Europeia para que avance mais rapidamente na criação de instrumentos de proteção para as indústrias europeias. Recentemente, a UE duplicou os direitos aduaneiros sobre as importações de aço, uma medida destinada a proteger os seus produtores contra o excesso de capacidade, especialmente proveniente da China.

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Fonte: ECO

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