A duas semanas do início de agosto, tradicionalmente o mês mais forte para o turismo em Portugal, o setor da hotelaria mantém um otimismo cauteloso. Apesar das boas perspetivas, a restauração enfrenta um cenário mais complicado, com o encerramento de 9.279 estabelecimentos entre janeiro e maio deste ano.
No que diz respeito à hotelaria, algumas regiões, como o Algarve, apresentam reservas superiores a 50%. Esta informação resulta do inquérito “Balanço Páscoa & Perspetivas Verão 2026”, realizado pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP). Contudo, uma análise aos sites de reservas revela que os preços para estadias em hotéis de 4 e 5 estrelas podem estar a cair entre 20% e 30%, com alguns casos a registarem descontos superiores a mil euros.
Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da AHP, salienta que a mudança no comportamento dos consumidores é notável. “As decisões estão a ser tomadas de forma mais tardia e cautelosa, com um aumento nas reservas de última hora, o que reduz a visibilidade dos hotéis”, explica. O clima de incerteza também se reflete na confiança dos hoteleiros, que viu o seu indicador cair 71%, devido a fatores como a instabilidade económica e geopolítica.
“Prevemos um verão positivo, mas mais exigente, dependendo da evolução dos mercados emissores, da conectividade aérea e dos custos operacionais”, acrescenta Cristina Siza Vieira. Embora o Algarve tenha registado uma desaceleração nas dormidas e receitas em 2025, em maio de 2026, os proveitos totais atingiram 179 milhões de euros, um aumento de 10,5% em relação ao ano anterior.
André Gomes, presidente do Turismo do Algarve, mostra-se confiante para o segundo semestre, mas também prudente face ao contexto internacional. “O nosso objetivo é consolidar um crescimento sustentado, gerando mais valor económico e social”, afirma. O Reino Unido continua a ser o principal mercado externo, mas a procura está a diversificar-se, com um aumento de turistas provenientes de países como Alemanha, Irlanda, Países Baixos e Espanha.
A guerra e a instabilidade geopolítica são preocupações para o turismo, afetando a confiança e a capacidade de planeamento das famílias. No entanto, até ao momento, os dados não mostram um impacto significativo nas reservas para o Algarve, que continua a ser visto como um destino seguro e estável.
Cristina Siza Vieira também destaca que, embora a vontade de viajar se mantenha, a incerteza geopolítica está a encurtar os prazos das reservas e a provocar alterações de rotas. Além disso, o aumento dos preços dos combustíveis e dos custos operacionais dos hotéis está a pressionar os preços das viagens, especialmente na região do Algarve, onde a maioria dos turistas chega de avião.
Por outro lado, o turismo no Porto e Norte de Portugal tem mostrado resiliência face a crises globais. Luís Pedro Martins, presidente do Turismo do Porto e Norte, afirma que a região tem conseguido compensar oscilações em alguns mercados com um aumento na procura de mercados de longa distância, como os Estados Unidos e o Brasil.
O Alentejo, que teve um desempenho notável em 2025, também está otimista para o verão e o segundo semestre. José Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, refere que o número de dormidas na região subiu 10% em maio, com um crescimento significativo no mercado nacional.
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hotelaria hotelaria Nota: análise relacionada com hotelaria.
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Fonte: Sapo





