Calouste Sarkis Gulbenkian, nascido em 1869 em Istambul, é uma figura emblemática que se destacou não apenas na indústria do petróleo, mas também como um dos mais importantes colecionadores de arte do século XX. Desde jovem, Gulbenkian mostrou interesse pela arte, tendo comprado moedas gregas antigas aos 14 anos, o que o levou a vender peças ao British Museum aos 21 anos. Contudo, o seu verdadeiro legado vai muito além das transações comerciais.
Gulbenkian tornou-se conhecido como um astuto conselheiro económico e diplomata, mas a sua paixão pela arte sempre foi uma constante na sua vida. Ao longo de 50 anos, ele construiu uma coleção eclética que reflete a sua cultura cosmopolita e as suas origens, com uma forte ênfase na arte islâmica. A sua habilidade em adquirir obras-primas, mesmo em tempos de crise, é notável. Gulbenkian soube navegar por falências e revoluções, sempre respeitando a sua intuição e o seu gosto apurado.
Formado em Engenharia pelo King’s College de Londres, Gulbenkian desempenhou um papel crucial na formação da Royal Dutch-Shell e atuou como intermediário entre as indústrias petrolíferas americanas e russas. O seu envolvimento na indústria do petróleo rendeu-lhe o título de “Sr. 5%”, devido à sua significativa participação na exploração petrolífera do Médio Oriente. Apesar das suas responsabilidades empresariais, a arte nunca foi secundária. Gulbenkian dedicou-se a estudar a história da arte, frequentando cursos no Louvre e rodeando-se de especialistas que o ajudaram a expandir a sua coleção.
A sua habilidade em adquirir obras excepcionais é exemplificada pela sua compra de peças do Museu Hermitage, que estavam à venda devido à necessidade financeira da Rússia soviética. Gulbenkian utilizou a sua rede de contactos e o seu conhecimento para garantir obras de grandes mestres como Rembrandt e Rubens.
Em 1942, Gulbenkian chegou a Lisboa, onde viveu até à sua morte em 1955, tornando-se o homem mais rico do mundo na altura. No seu testamento, expressou o desejo de criar uma fundação em Portugal, que se concretizou em 1956, com a inauguração do Museu Gulbenkian em 1969. Este museu abriga uma coleção que abrange cinco mil anos de história da arte, refletindo a visão de um “cidadão do mundo”.
Recentemente, o Museu Gulbenkian celebrou os seus 70 anos com uma reabertura que destaca a sua coleção diversificada e a arquitetura do edifício. O atual diretor, Xavier Salomon, enfatiza a importância de preservar tanto as obras de arte como a própria estrutura do museu. A nova abordagem expositiva, que valoriza a interação entre o espaço e as peças, convida os visitantes a explorar a coleção de uma forma renovada.
O Museu Gulbenkian não é apenas um espaço de exposição, mas um lugar onde a arte e a história se entrelaçam, proporcionando uma experiência única a todos os que o visitam. Com planos para novas exposições e iniciativas tecnológicas, o museu continua a ser um farol cultural em Portugal, honrando o legado de Calouste Gulbenkian.
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Fonte: Sapo





