A partir de 19 de julho de 2024, as grandes marcas de luxo, como LVMH, Prada, Chanel e Inditex, estão proibidas de destruir roupa, acessórios e calçado não vendidos na União Europeia. Esta decisão, conforme reportado pelo Financial Times, visa reduzir o desperdício e obrigar as empresas a encontrar alternativas para gerir os seus excedentes e produtos devolvidos.
A nova legislação impede a incineração ou o envio de artigos para aterros, exceto em casos específicos, como quando os produtos representam riscos para a saúde ou segurança, são contrafeitos ou estão irremediavelmente danificados. Esta mudança é particularmente relevante para as marcas de luxo, que historicamente têm utilizado o controlo da oferta para manter a exclusividade e o valor das suas marcas.
Com a proibição, as marcas de luxo terão de enfrentar novos desafios. Para lidar com o excesso de stock, as empresas poderão incorrer em custos adicionais de inventário, optar por reduzir a produção ou reforçar canais de desconto, reparação, reutilização e recuperação de materiais. Entre 4% e 9% dos produtos têxteis vendidos na Europa são destruídos antes de serem utilizados, o que representa entre 264 mil e 594 mil toneladas anualmente, segundo a Agência Europeia do Ambiente. Contudo, não existem dados que permitam distinguir o impacto específico das marcas de luxo em relação às marcas de moda rápida.
Analistas apontam que a nova legislação poderá levar as marcas de luxo a investir mais em tecnologia, especialmente em sistemas de inteligência artificial, para prever a procura e gerir os inventários em tempo real. A gestão eficiente do stock poderá tornar-se um fator competitivo crucial num setor onde, em 2025, até 40% dos produtos de luxo foram vendidos com desconto.
Esta mudança legislativa reflete uma crescente preocupação com a sustentabilidade e a responsabilidade social no setor da moda. As marcas de luxo, que sempre se destacaram pela sua exclusividade, agora enfrentam a necessidade de se adaptarem a um mercado em transformação, onde a consciência ambiental é cada vez mais valorizada.
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Fonte: ECO





