Futuro do e-commerce: IA transforma compras online

O comércio online está a viver uma nova era, marcada pela introdução da inteligência artificial (IA) nas compras digitais. O conceito de Agentic Commerce, que envolve um agente comercial com IA, começa a ganhar destaque, prometendo transformar a experiência de compra dos consumidores.

Este agente atua como um assistente virtual, facilitando a pesquisa de produtos, a comparação de preços e a conclusão de transações. Juan Franco, CEO da Getnet, explica que esta inovação traz uma “redefinição da jornada de consumo online”. Tradicionalmente, o consumidor percorria várias etapas: pesquisava num motor de busca, comparava preços em marketplaces, consultava redes sociais e avaliações, antes de finalmente concluir a compra. Agora, a IA pode organizar todo este processo, tornando-o mais eficiente.

Apesar da sua crescente presença, Juan Franco alerta que o futuro do e-commerce não será “exclusivamente dominado” pela IA. Nos próximos tempos, a adoção desta tecnologia deverá focar-se em situações mais simples e de menor risco, como compras recorrentes e gestão de subscrições. Para transações de maior envolvimento, como a aquisição de produtos financeiros ou tecnologia, os consumidores ainda preferem manter um certo nível de supervisão.

A entrada da IA no e-commerce não transforma a tecnologia num consumidor, uma vez que a IA não possui preferências ou necessidades. O papel do consumidor continua a ser fundamental, pois é ele quem define os objetivos. A IA apenas interpreta esses objetivos e executa tarefas, o que altera significativamente a lógica tradicional do comércio. Com a introdução do agente, surge um novo ator que decide e executa, mudando a dinâmica entre consumidor, comerciante e sistema de pagamento.

Embora a IA possa facilitar a experiência de compra, também levanta questões sobre a confiança. No modelo tradicional, é claro quem decide e autoriza a compra. Com um agente de IA a atuar em nome do consumidor, é crucial garantir que este esteja devidamente identificado e limitado pelas preferências do utilizador. Assim, conceitos como validação da intenção do utilizador, autenticação avançada e prevenção de fraudes tornam-se essenciais para o funcionamento deste novo modelo.

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A responsabilidade também é um ponto crítico. Se o agente de IA cometer um erro, como comprar o produto errado, a responsabilidade dependerá da estrutura da transação e dos consentimentos dados. Juan Franco sublinha que a delegação de tarefas não deve significar a ausência de responsabilidade. É vital que exista um registo claro das autorizações dadas pelo consumidor.

Além disso, os sistemas de pagamentos terão um papel mais ativo na criação de uma infraestrutura de confiança, onde as transações sejam seguras e auditáveis. Para as empresas, a adaptação a esta nova realidade implica ter catálogos bem estruturados, preços claros e processos de checkout que possam ser interpretados por sistemas automatizados.

Outro desafio é a inclusão competitiva. Se a evolução do e-commerce beneficiar apenas grandes plataformas, isso poderá aumentar a distância entre empresas com maior maturidade tecnológica e as PME que têm menos capacidade de investimento. O agente de IA também traz implicações para a privacidade e segurança, exigindo acesso a dados adicionais para funcionar corretamente. A privacidade deve ser baseada em princípios claros, como minimização de dados e consentimento explícito.

Apesar dos desafios, a introdução do agente de IA oferece oportunidades significativas. Para os consumidores, a principal vantagem é a redução da fricção nas compras, permitindo economizar tempo e encontrar melhores preços. Para os comerciantes, a IA pode aumentar a conversão, personalização e eficiência. As PME também podem beneficiar, desde que a tecnologia seja acessível e adaptável às suas necessidades.

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Fonte: Sapo

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