A polémica em torno de Luís Neves, o ministro da Administração Interna, intensificou-se após a revelação de que a empresa Construbarcelos, de João dos Santos Carvalho, responsável por obras na sua propriedade em Odemira, foi uma das principais adjudicatárias de contratos da Polícia Judiciária (PJ) durante a sua gestão. Entre 2020 e 2025, a construtora recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, levantando suspeitas sobre possíveis conflitos de interesse.
A situação agravou-se quando a PJ confirmou a abertura de um inquérito relacionado com um atrelado apreendido que estaria na posse do empreiteiro. Este inquérito poderá envolver crimes de abuso de poder e descaminho. Luís Neves prometeu esclarecer todos os pontos da situação, afirmando que está a reunir a documentação necessária.
A controvérsia começou a 10 de julho, quando foi noticiado que o ministro contratou a Construbarcelos para remodelar um imóvel em Odemira. Neves confirmou que a empresa recebeu contratos públicos durante o seu mandato na PJ, mas garantiu que nunca favoreceu a construtora. No entanto, a natureza das obras, que incluíam uma piscina e outras estruturas, levantou novas questões sobre o custo e a legalidade das intervenções.
Em resposta à pressão mediática, Neves quebrou o silêncio e afirmou que as obras foram realizadas sem contrato escrito, justificando a sua decisão com a relação de confiança que mantinha com o empreiteiro. Esta revelação apenas alimentou a polémica, levando partidos da oposição a exigir a sua demissão, independentemente de existirem ou não ilegalidades.
Para tentar dissipar as dúvidas, o ministro divulgou uma lista de 108 faturas de várias empresas, alegando que todas as despesas foram pagas pela sua família. Contudo, a falta de comprovativos bancários e o facto de muitas faturas estarem emitidas à empresa da sua mulher levantaram novas interrogações sobre a transparência da situação.
O Ministério da Administração Interna alegou que a omissão de informações nas declarações de Luís Neves à Entidade para a Transparência foi um “lapso administrativo”. Entretanto, a Câmara Municipal de Odemira iniciou averiguações para verificar se as obras estavam devidamente licenciadas, uma vez que a propriedade se encontra numa zona ambientalmente sensível.
A PJ, após a confirmação do inquérito, começou a investigar a movimentação do atrelado apreendido, que pode estar relacionado com ilícitos criminais. A Procuradoria-Geral da República também está a acompanhar o caso, analisando as informações disponíveis e avaliando a necessidade de diligências adicionais.
Luís Neves, em declarações recentes, afirmou estar a reunir toda a documentação relevante para esclarecer a situação. O ministro expressou a sua intenção de responder a todas as questões e sublinhou a importância da investigação aberta pela PGR, considerando-a uma oportunidade para defender a sua honra e dignidade.
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Luís Neves Nota: análise relacionada com Luís Neves.
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Fonte: ECO





