Conflito no Médio Oriente ameaça economia global

A recente escalada do conflito no Médio Oriente, com o apoio dos houthis ao Irão, está a criar dificuldades significativas que podem ser irreversíveis para a normalização da economia global. Após o choque petrolífero que se fez sentir no primeiro trimestre, a Europa enfrenta agora uma nova onda de desafios, especialmente devido à sua dependência dos combustíveis fósseis provenientes desta região.

O fecho dos estreitos de Ormuz e de Bab el-Mandeb, que ligam o Oceano Índico ao Mar Vermelho, pode estrangular a oferta de combustíveis fósseis da Arábia Saudita. Esta situação agrava-se com a tentativa do Irão de bloquear ambos os estreitos, demonstrando o seu poder e, ao mesmo tempo, a sua capacidade de afetar as economias mundiais. O preço do petróleo já ultrapassou os 100 dólares por barril, refletindo uma subida de quase 50% nas últimas três semanas. Simultaneamente, o preço do gás na Europa disparou mais de 50%, atingindo os 62 euros por MW/hora, o valor mais elevado desde janeiro de 2023.

Em contraste, do outro lado do Atlântico, o preço do gás nos Estados Unidos mantém-se praticamente inalterado, uma vez que o país é um dos principais produtores. Esta disparidade coloca a Europa numa posição de desvantagem competitiva, afastando as suas empresas do palco global.

A segunda onda de aumento dos preços da energia terá consequências severas. As empresas poderão não conseguir absorver o impacto nas suas margens e, consequentemente, terão de transferir esses custos para os consumidores. Espera-se uma revisão em baixa do crescimento do PIB europeu, com a possibilidade de aumento das taxas de juro e maiores dificuldades para consumidores, empresas e até governos. Estes últimos terão de apoiar a população, ao mesmo tempo que enfrentam uma possível redução da receita fiscal, caso a atividade económica comece a ressentir-se.

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O turismo, uma das indústrias que mais movimenta a economia, será também afetado, impactando setores como a restauração, a aviação, a hotelaria, o alojamento local e o setor imobiliário. O Banco de Portugal, ao restringir a concessão de crédito, procura proteger a economia do que poderá ocorrer após o verão, prevendo um abrandamento que afetará a atividade económica e a estabilidade financeira em Portugal.

Neste cenário incerto, há algumas certezas: os juros continuarão a subir, com os juros a 10 anos da Alemanha a ultrapassarem os 3,2%, um máximo em 15 anos. Esta situação não é favorável para quem possui crédito indexado, nem para o Estado, que garantiu crédito a quem, de outra forma, não teria condições para adquirir uma casa.

A política ambiental da Europa tem consequências diretas e, enquanto não conseguirmos a independência em algo tão fundamental como a energia, corremos o risco de enfrentar sérios problemas a longo prazo. Esta é uma tempestade que pode estar longe de terminar. Leia também: O impacto da crise energética na economia portuguesa.

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Fonte: Sapo

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