A E-Redes, responsável pela distribuição de energia elétrica em Portugal Continental, estimou que o custo da reposição da rede elétrica, após os danos causados pela depressão Kristin, poderá ascender a cerca de 110 milhões de euros. Esta informação foi divulgada à agência Lusa na passada sexta-feira.
De acordo com a E-Redes, as estimativas incluem não apenas a reparação da infraestrutura danificada, mas também medidas que visam aumentar a resiliência da rede elétrica. A empresa sublinha que este valor poderá ser ajustado, dependendo dos resultados de um estudo encomendado pelo Governo à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), que se concentra precisamente na resiliência da rede.
A depressão Kristin, que afetou principalmente a região Centro do país no dia 28 de janeiro, causou danos significativos na rede elétrica. A E-Redes reportou que, nesse dia, cerca de um milhão de clientes ficaram sem energia às 06:00 da manhã, com 855 mil ainda sem eletricidade uma hora depois. Os distritos mais afetados foram Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre, Leiria, Santarém e Setúbal.
Quase um mês depois, a EDP, grupo que inclui a E-Redes, anunciou que já tinha restabelecido a energia a todos os clientes afetados pelas tempestades. A empresa revelou que os danos se estenderam a cerca de 6.000 quilómetros de rede, sendo que mais de 500 quilómetros necessitam de reparação ou substituição de condutores, postes e outros ativos.
Além disso, foram identificados cerca de 5.300 postes que precisam de reparação ou substituição, e 47 subestações sofreram danos, com 24 delas a registarem interrupções na alimentação elétrica. Até ao momento, a E-Redes já executou aproximadamente 65 milhões de euros em reparações, sendo que a alta tensão representa cerca de 30% desse valor, a média tensão 50% e a baixa tensão 20%.
Embora o impacto financeiro na baixa tensão seja menor, a E-Redes destaca que o número de intervenções necessárias é bastante significativo. Em contraste, as intervenções na alta tensão, embora menos numerosas, são mais complexas e envolvem múltiplos municípios.
O distrito de Leiria é o mais afetado, representando cerca de 45% do impacto financeiro, seguido por Santarém (20%), Coimbra (10%) e Castelo Branco (10%). O restante impacto é distribuído por outros distritos que também sofreram com as tempestades.
A E-Redes informa que os ativos danificados estão cobertos por seguros contra danos materiais resultantes de eventos naturais, como a tempestade Kristin. Estes seguros abrangem linhas, postos de corte, subestações e outros equipamentos. Além disso, a empresa já reembolsou despesas incorridas por municípios na sequência dos danos.
A empresa enfatiza a importância da colaboração com os municípios para garantir a recuperação da rede elétrica e o funcionamento contínuo de geradores em áreas afetadas. Os custos associados a esta colaboração foram reembolsados pela E-Redes, totalizando cerca de 800 mil euros.
Infelizmente, as tempestades que afetaram Portugal entre o final de janeiro e o início de março resultaram em pelo menos 19 mortes e centenas de feridos. Os danos causados foram extensos, incluindo a destruição de casas, empresas e infraestruturas, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.
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Fonte: ECO





