Empresas brasileiras tentam contornar tarifas dos EUA

As empresas brasileiras estão a desenvolver diversas estratégias para lidar com as incertezas provocadas pelas novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos. A taxa de 25% entrou em vigor recentemente, seguida de uma tarifa adicional de 12,5%, que afeta uma ampla gama de produtos, desde máquinas agrícolas a vestuário. Segundo a Amcham Brasil, estas tarifas poderão impactar até 10,9 mil milhões de euros em exportações anuais para os EUA, com 85,3% dessas vendas a sofrerem um efeito cumulativo, resultando numa taxa total de 37,5%.

O ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, alertou que muitos setores, como calçados e equipamentos, estarão sujeitos a esta taxação acumulada. A Weg, uma multinacional brasileira de equipamentos elétricos, expressou preocupação com o impacto das tarifas na sua margem de lucro. O vice-presidente da empresa, André Rodrigues, destacou que a produção no México tem sido uma alternativa para mitigar os efeitos do tarifaço, uma vez que este país já representa 41% das exportações da Weg para os EUA.

A Forbal Automotive, que opera na indústria de peças para veículos, também está a adaptar-se. O CEO, Giuliano Santos Policastro, mencionou que a empresa abriu uma unidade na Flórida, mas as tarifas têm dificultado o crescimento esperado no mercado norte-americano. Após a aplicação das tarifas, a empresa viu as suas expectativas de receita diminuírem, levando-a a rever os seus planos.

O setor do calçado, que depende fortemente do mercado dos EUA, já ajustou as suas previsões de exportação para uma queda de 7,1%. Julio Schreck, agente de exportação, defende que os calçados brasileiros deveriam ser isentos das tarifas, uma vez que a quota de exportação do Brasil para os EUA é mínima. Haroldo Ferreira, da Abicalçados, alertou que as tarifas aumentarão a competitividade de países como a Indonésia e o Camboja, prejudicando ainda mais o mercado brasileiro.

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Apesar da incerteza, as empresas continuam a trabalhar para minimizar os danos. Carlos Filho, da Kissol, afirmou que a qualidade dos produtos brasileiros é uma vantagem, mas que estão a desenvolver estratégias para enfrentar a situação. O economista Gilberto Braga sublinhou que, embora as novas tarifas afetem uma parte relativamente pequena das exportações, o impacto é significativo para os setores envolvidos, podendo levar a desemprego e dificuldades financeiras.

Enquanto isso, o governo dos EUA isentou alguns produtos de tarifas, mas as empresas brasileiras, mesmo as que não foram afetadas, sentem a falta de previsibilidade no comércio bilateral. José Pimenta, especialista em comércio internacional, destacou que as empresas que se mobilizaram para defender os seus interesses conseguiram evitar algumas tarifas, como o café solúvel.

As empresas estão a tentar adaptar-se a um ambiente comercial incerto, mas a falta de clareza nas políticas tarifárias continua a ser um desafio. Leia também: Impacto das tarifas nos setores exportadores brasileiros.

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Fonte: Sapo

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